Lula diz que acusadores querem 'acabar' com sua vida política

São Paulo, 15 Set 2016 (AFP) - Em uma emotiva entrevista coletiva nesta quinta-feira (15), em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu a denúncia apresentada ontem pelo Ministério Público Federal, atribuindo as graves acusações de corrupção contra ele à vontade das "elites" de acabar com sua vida política.

"Estou falando como um cidadão indignado. Eu tenho histórica publica conhecida. Só ganha de mim no Brasil Jesus Cristo", declarou Lula, denunciado na véspera pelo procurador Deltan Dallagnol como o "comandante máximo" da gigantesca rede de corrupção da Petrobras.

Em uma resposta eminentemente política, no tom das acusações feitas, o ex-presidente (2003-2010) e potencial candidato às eleições de 2018 buscou uma abordagem emocional ao falar com os eleitores do PT, declarando seu "orgulho de ter criado o mais importante partido de esquerda da América Latina".

Lula, que comandou o país em sua época de ouro, garantiu ser inocente das acusações e desafiou os promotores a apresentarem provas concretas contra ele.

"Ninguém está acima da lei (...) Quando eu transgredir a lei, me punam para servir de exemplo".

Lula se emocionou ao recordar, com voz embargada, o que considera sua "maior conquista": o direito para todos os brasileiros de "andar com a cabeça erguida".

O ex-presidente continuou dizendo que estará à disposição e não perderá seu sono.

"A história mal começou. Alguns pensam que ela terminou. E eu vou viver muito. Estou com 70 anos, com vontade de viver mais 20", acrescentou.

Recebido com gritos de "Lula, guerreiro, do povo brasileiro", ele esteve rodeado por muitos militantes e lideranças do partido durante toda a coletiva.

"Provem uma corrupção minha que eu irei a pé ser preso", prometeu emocionado.

El expresidente se emocionó hasta las lágrimas cuando recordó, con la voz quebrada, la que considera su "mayor conquista": la del derecho para todos los brasileños "de andar con la cabeza erguida".

As elitesLula também considerou que "o ódio" das elites contra suas políticas sociais explica boa parte das turbulências que levaram, no final de agosto, à destituição de Dilma pelo Senado, acusada de maquiar as contas públicas, um "golpe tranquilo", segundo descreveu, que levou Michel Temer até o máximo cargo do país.

O penúltimo capítulo foi a destituição do deputado ultraconservador Eduardo Cunha, artífice do impeachment, mas muito desgastado pelas acusações de corrupção.

Para o ex-presidente, está na hora de "concluir a novela". "Vão agora dar o desfecho: colocaram Temer, destituíram Dilma e depois Cunha; e agora querem acabar com a vida política do Lula".

O presidente do PT, Rui Falcão, convocou a esquerda a cerrar fileiras em torno de Lula e a "resistir" à ofensiva da direita.

"Convocamos todos os democratas a resistir às manobras desta índole. A solidariedade nacional e internacional para com Lula é fundamental".

Lula, que há uma década impressionava o mundo no comando de um Brasil em franco avanço, acusou o governo Temer de querer "entregar ao capital estrangeiro" as grandes indústrias nacionais, citando a Petrobras.

Mais ácido do que costuma ser, voltou a mostrar sua retórica diante do microfone. Sem deixar de lado seu bom humor e piadas sobre sua intensa vida pública, lembrou ironicamente de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Afirmando que muitos aguardavam a ruína de um metalúrgico sem estudo quando ganhou as eleições de 2002, assegurou que o próprio FHC desejava que ele vencesse para impedir a vitória do candidato José Serra, de seu partido, para preparar o terreno para seu retorno, já que apostava em um fracasso do PT.

"Meu fracasso não teria gerado tanto ódio ao PT", refletiu Lula.

Questionado sobre as explicações daquele que foi seu grande opositor em Brasília, FHC não quis se pronunciar.

"Acredito que o presidente Lula esteja passando por um momento difícil. (...) É um momento em que está desabafando e dizendo o que está a seu alcance para se justificar. Eu lamento, sinceramente", respondeu Fernando Henrique após um ato de seu partido no Rio de Janeiro.

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