Reino Unido aprova construção de 1ª central nuclear em duas décadas

Londres, 15 Set 2016 (AFP) - O governo britânico aprovou finalmente a construção de uma central nuclear em Hinkley Point, sudoeste do país, cuja paralisação em julho provocou surpresa na França e tensão com a China, dois países envolvidos no projeto.

A construção será liderada pela empresa francesa de energia EDF, com um terço de capital chinês, o que havia provocado grande receio no Reino Unido.

Esta é a primeira central nuclear construída em território britânico desde 1995.

"Decidimos seguir adiante com a primeira central nuclear em uma geração", afirma o secretário de Negócios Greg Clark em um comunicado, no qual promete a adoção de medidas adicionais para melhorar a segurança, uma das principais inquietações provocadas pelo governo.

Apesar da direção da empresa estatal francesa EDF ter aprovado a participação em Hinkley Point, no sudoeste do Reino Unido, o novo governo britânico da primeira-ministra Theresa May anunciou no final de julho que precisava de tempo para "examinar cuidadosamente" o projeto e estabeleceu prazo até outubro.

A construção, que terá custo de 18 bilhões de libras (23,6 bilhões de dólares), tem forte apoio do governo francês, que possui 85% da EDF, mas também inclui investimentos do grupo chinês CGN, que ficará responsável por um terço do capital.

- Temor de que Pequim controle o interruptor -O envolvimento chinês era visto como uma ameaça à segurança britânica por alguns setores.

"É incompreensível que Londres tenha permitido a participação de empresas estatais chinesas que permitirão a Pequim paralisar a seu desejo a produção energética britânica", chegou a declarar no ano passado Nick Timothy, o principal assessor de Theresa May.

No anúncio desta quinta-feira, o secretário Clark garantiu que serão introduzidas uma "série de medidas para reforçar a segurança e garantir que Hinkley não pode mudar de mãos sem a aprovação do governo".

Em um comunicado separado, o governo afirma que existia uma "acordo revisado com a EDF" e que serão aprovadas novas leis para controlar a participação estrangeira em infraestruturas estratégicas.

"Os poderes legais existentes e o novo marco legal significarão que o governo pode intervir na venda da participação da EDF uma vez que Hinkley esteja operacional", completa a nota oficial.

May informou pessoalmente na quarta-feira ao presidente francês, François Hollande, sobre a aprovação do governo, indicou o governo de Paris.

Os reatores devem cobrir 7% das necessidades de energia elétrica do país e ajudarão o Reino Unido a combater a mudança climática, afirmam as autoridades.

- Oposição popular -O projeto, no entanto, enfrenta uma forte oposição popular e nesta quinta-feira May receberá um manifesto com 300.000 assinaturas reunidas pela organização ecologista Greenpeace.

"Os consumidores percebem que é um projeto que não pode ser construído, requer grandes subsídios e vai gerar eletricidade muito cara para seu uso", afirma em um comunicado Sue Aubrey, porta-voz da plataforma Stop Hinkley.

O temor da energia nuclear aumentou com a tragédia de a central atómica japonesa de Fukushima, en 2011.

"Os delírios nucleares do governo tentam frear a revolução da energia renovável que está acontecendo em todo o mundo", afirmou Aubrey.

bur-an-al/fp

EDF - ELECTRICITE DE FRANCE

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