COI critica o fato de a Agência Antidoping ter sido alvo de hackers

Paris, 16 Set 2016 (AFP) - O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, condenou nesta sexta-feira o fato de a base de dados da Agência Mundial Antidoping (Wada) ter sido hackeada.

"É uma violação inaceitável e escandalosa de dados médicos confidenciais, que busca atingir esportistas inocentes, que não foram sentenciados por doping", afirmou em um comunicado.

"Em alguns casos, tambéms se trata de uma violação dos dados confidenciais de esportistas cujos casos ainda não foram julgados", acrescentou.

A Wada pediu esta semana a intervenção do governo da Rússia para acabar com os ataques de um grupo de hackers, depois de uma nova divulgação na quarta-feira de dados sobre 25 atletas que disputaram os Jogos Olímpicos Rio-2016.

"Condenamos esta atividade criminosa e pedimos ao governo russo que faça tudo o que estiver em seu poder para que acabe", afirmou o diretor-geral da Wada, Olivier Niggli, em um comunicado.

Ele indicou que o vazamento de dados é uma "represália" pelas medidas tomadas pela agência em sua luta contra o doping na Rússia. Dezenas de atletas do país foram excluídos dos Jogos Olímpicos do Rio, incluindo todos os integrantes da equipe de atletismo, com exceção de Daria Klishina, do salto em distância, que treina na Flórida.

Na terça-feira, a Wada denunciou que o grupo de "hackers" russo APT28, também conhecido como Fancy Bears, se infiltrou na base de dados da agência e divulgou informações relacionadas a vários atletas americanos, como a ginasta Simone Biles, as tenistas Serena e Venus Williams e a jogadora de basquete Elena Delle Donne.

"Em um vazamento similar ao que a agência denunciou em 13 de setembro, desta vez o grupo divulgou publicamente dados confidenciais de 25 atletas de oito países. Entre os atletas afetados há 10 americanos, cinco alemães, cinco britânicos, um tcheco, um dinamarquês, um romeno e um russo", afirma o comunicado da Wada.

O ministro russo dos Esportes, Vitali Mutko, negou na quarta-feira qualquer vínculo do país com os vazamentos.

"Como podem dizer que são hackers da Rússia? Acusam a Rússia de tudo", disse Mutko, antes de afirmar que o país também está "muito preocupado, já que os hackers têm as mesmas informações sobre atletas russos".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, assegurou que a Rússia está disposta a ajudar na luta contra os hackers caso um pedido oficial nesse sentido for apresentado.

"Se houver um pedido de ajuda e este for entregue, certamente o faremos", afirmou Peskov à imprensa.

"A Rússia sempre se pronuncia a favor da luta contra o crime cibernético e convida a todos os países e a todas as organizações internacionais a cooperar neste aspecto. A posição da Rússia é conhecida", lembrou.

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