Movimento dos Não-Alinhados apoia Maduro e debate futuro

Porlamar, Venezuela, 18 Set 2016 (AFP) - O Movimento dos Países Não-Alinhados (NOAL) conclui neste domingo sua XVII Cúpula em Isla Margarita, com um apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pressionado pela pior crise já registrada em seu país em sua história recente.

A reunião, que contou com a presença de um pequeno grupo de presidentes dos 120 países do movimento, terminará com a aprovação de um documento final de 190 páginas, nas quais serão ressaltados o apelo à não ingerência, o impulso à paz e à cooperação, e preocupações pela situação na Venezuela e em outros países em conflito.

Maduro, que no sábado na abertura do encontro denunciou uma ofensiva dos Estados Unidos na América Latina e, em particular, contra seu governo socialista, assumiu a presidência do bloco pelos próximos três anos, um período imprevisível diante da complicada situação política, econômica e social da Venezuela.

Embora seu mandato termine em janeiro de 2019, seus opositores buscam retirá-lo do poder através de um referendo revogatório, que exigem que seja realizado neste ano para que sejam convocadas eleições. No entanto, o governo afirma que isso é impossível porque o processo foi iniciado tardiamente.

"A Venezuela vive uma crise de muitas dimensões. Há pessimismo e desesperança no povo. Para o presidente, a Cúpula e a presidência do bloco são importantes num momento em que ele está submetido a uma pressão nacional e internacional", disse à AFP a analista Mariclen Stelling.

O presidente socialista atribui a uma aliança entre a oposição venezuelana e Washington supostos planos para derrubá-lo por meio de uma guerra econômica.

Já a oposição afirma que a crise é resultado do que chama de "um modelo socialista fracassado" e acredita que a única solução está no referendo.

No entanto, o poder eleitoral, acusado de servir ao governo, ainda não definiu a data da próxima etapa do processo, o que aumenta as tensões.

- Um "frágil ator internacional" -Stelling ressaltou que a Venezuela é encarada como um "ator geopoliticamente frágil" e classificou como um "golpe" a recente decisão do Mercosul de impedi-la de exercer a presidência temporária do bloco, argumentando que deveria cumprir antes com compromissos econômicos e políticos.

Neste contexto, Maduro busca apoio neste fórum, que reúne vários de seus aliados. Os presidentes Rafael Correa (Equador), Raúl Castro (Cuba), Evo Morales (Bolívia), Hassan Rohani (Irã) e Salvador Sánchez (El Salvador) expressaram seu apoio no plenário de debates.

"Maduro busca criar a falsa impressão de que a Venezuela ainda conta com apoio internacional e que é um ator influente, mas não é desde a morte de Hugo Chávez (março de 2013) e a queda dos preços do petróleo", disse à AFP o analista Diego Monya-Ocampos, do centro Ihs Markit, com sede em Londres.

Atingida pela queda dos preços do petróleo, que gera 96% de suas divisas, a Venezuela sofre uma aguda escassez de alimentos e remédios, e sua inflação é a mais alta do mundo, projetada pelo FMI em 720% para este ano.

- EUA no centro do debate -Criado no apogeu da Guerra Fria como uma alternativa à bipolaridade de Estados Unidos e União Soviética, o NOAL debate neste domingo a necessidade de se renovar na era pós-conflito.

Alguns dignitários e chefes de delegação advertiram sobre o surgimento de novos colonialismos e ingerências.

Sob o tema da paz, as delegações falaram sobre conflitos em vários dos países do movimento, sobre as ações dos grupos extremistas e vários acusaram os Estados Unidos de ingerência em assuntos internos.

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