Partido de Merkel retrocede e populista AfD avança em eleições de Berlim

Berlim, 18 Set 2016 (AFP) - O partido conservador de Angela Merkel registrou neste domingo o pior resultado de sua história nas eleições regionais de Berlim, em um clima de descontentamento crescente sobre a imigração que a direita populista continua aproveitando.

A União Democrata Cristã (CDU) da chanceler alemã somou 17,5% dos votos, mais de cinco pontos a menos em relação às eleições de 2011, o que provavelmente a obrigará a sair do governo local da capital alemã, do qual fazia parte até agora com os sociais-democratas, segundo as primeiras pesquisas divulgadas pela televisão pública.

O movimento de direita populista, Alternativa para Alemanha (AfD), que se opõe à política migratória lançada pelo governo, entrou no Parlamento local com cerca de 14% dos votos, segundo as pesquisas.

Jamais na história da cidade, a de Berlim Ocidental depois da Segunda Guerra Mundal e a da capital reunificada de 1990, o CDU conheceu um fiasco semelhante.

Este é o segundo revés eleitoral em duas semanas de eleições regionais para o partido de Merkel, a um ano das eleições legislativas. No início de setembro, o AfD, criado há apenas três anos, se impulsionou no nordeste do país.

O mal resultado do CDU em Berlim deixará provavelmente o partido na bancada da oposição nesta metrópole de 3,5 milhões de habitantes. Até agora fazia parte de um governo de coalizão com os social-democratas.

O AfD capitalizou novamente com a inquietação que gera a chegada de centenas de milhares de refugiados ao país desde o verão de 2015, com um número recorde de quase um milhão no ano passado.

Captou desta vez uma parte do eleitorado dos partidos tradicionais, em primeiro lugar do CDU, que já não concordam na política de abertura de Merkel, assim como o voto de protesto que antes tendia à abstenção.

SPD continua sendo primeira forçaO Partido Social-Democrata (SPD) também perde terreno em Berlim em relação a 2011, mas de maneira mais limitada. Impõe-se nestas eleições com menos de 22% dos votos, um mínimo histórico.

Isto permitiria ao atual prefeito Michael Muller, membro deste partido, manter-se em suas funções.

Durante a campanha indicou que queria formar uma coalizão de esquerda com os ecologistas, que obteriam 15% dos votos, e a esquerda radical Die Linke, outro partido populista na Alemanha, que avançou 15%.

Embora se tratem de eleições locais, o aumento da direita populista no parlamento regional berlinense, assim como nos conselhos municipais de algumas localidades, têm valor de símbolo. A metrópole cosmopolita, aberta ao mundo, que continua mudando 27 anos depois da queda do Muro, era a capital alemã com estatuto de Estado-região que até agora resistia às tendências populistas.

De zero a um número com dois dígitos, isso é um recorde para Berlím", comemorou o principal candidato da AfD, Georg Pazderski.

Durante a campanha, o prefeito social-democrata havia tentado dramatizar o desafio. Se o AfD supera 10% dos votos "será interpretado no mundo inteiro como sinal de renascimento da extrema direita e dos nazistas na Alemanha", havia dito.

"Em uma cidade tão a esquerda como Berlim, nosso resultado acima de 10% é um grande sucesso", declarou Jörg Meuthen, um dos dirigentes da AfD.

Embora o CDU é há 15 tradicionalmente frágil em Berlim, este novo revés complica um pouco mais a tarefa da chanceler, criticada em sua própria família política.

O aliado bávaro do CDU, o CSU, exige uma política muito mais restritiva em matéria de imigração com, entre outros pontos, um limite à quantidade de refugiados a acolher por ano. Até o momento, se recusa a esclarecer se apoiará Merkel na disputa pela chancelaria no ano que vem.

Com esta nova vitória, a AfD ingressará em um décimo parlamento regional, doa 16 que conta no país.

Se não tropeçar, o AfD está em bom caminho para ingressar no ano que vem na câmara dos deputados, o que seria algo inédito para um partido da direita populista na história da Alemanha do pós-guerra.

"Os partidos tradicionais, os de centro, são vítimas de um fenômeno de erosão e isso cria uma nova dinâmica política", explicou Lothar Probst, cientista político da Universidade de Bremen.

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