Partido de Putin caminha para ampla vitória em eleições legislativas

Moscou, 19 Set 2016 (AFP) - O partido no poder Rússia Unida lidera com ampla vantagem as eleições legislativas deste domingo, com 53% dos votos, segundo os resultados parciais (40% das urnas apuradas) que apontam uma vitória confortável para o presidente Vladimir Putin, que poderá tentar um quarto mandato.

A modalidade do escrutínio -metade proporcional e metade majoritário- acentuou o domínio dos candidatos da formação governista. De modo que segundo as projeções realizadas com 40% de votos apurados, a Rússia Unida poderá obtener mais de 300 dos 450 assentos da Duma.

Com mais de dois terços dos deputados, o Kremlin exerceria um controle sem precedentes na Duma e poderia impôr revisões constitucionais com mais facilidade.

Em segundo lugar, empatam o Partido Liberal Democrata (LDPR, ultra-direita) e o Partido Comunista com 14,2%. O partido nacionalista do popular Vladimir Jirinovski ganha três pontos em relação a 2011 e os comunistas perdem cinco. Ambos os partidos costumam votar com o Rússia Unida.

Os opositores liberais do Parnas não passsam do simbólico 0,64% após uma campanha em que foram ignorados pelas televisões estatais. Só o partido opositor social-democrata Iabloko pôde esperar voltar à Duma com uma única cadeira.

"Podemos dizer claramente que nosso partido ganhou", declarou à televisão o primeiro-ministro Dmitri Medvedev, que lidera a lista da Rússia Unida, que em 2011 somou 49%.

Putin celebrou o "bom resultado", apesar de ressalvar que a participação "não foi a mais elevada, mas a mais importante".

Às 18H00 do horário local (12H00 pelo horário de Brasília) a participação era de menos de 40% segundo a Comissão Eleitoral Central, em relação ao nível de mais de 51% há cinco anos.

Nas duas principais cidades do país, Moscou e São Petersburgo, a participação foi ainda mais baixa.

A porcentagem definitiva será anunciada às 07H00 GMT (04H00 horário de Brasília) de segunda-feira.

"Em várias regiões, a participação não foi muito elevada já que os cidadãos não foram informados sobre onde estava seu centro de votação", explicou a delegada do Kremlin para os temas de Direitos Humanos, Tatiana Moskalkova.

Ao contrário do que aconteceu nas legislativas de setembro de 2011, denunciadas como fraudulentas por centenas de milhares de manifestantes que saíram às ruas para protestar, o Kremlin parece querer dar ao processo eleitoral mais transparência.

Uma vitória nas legislativas seria o passo prévio a um possível quarto mandato de Putin nas eleições presidenciais de 2018.

De todas as formas, Putin, com uma popularidade de aproximadamente 80% após a anexação da Crimeia, e seu partido fizeram campanha como favoritos.

- Primeira eleição na Crimeia -As eleições acontecem em meio a uma profunda crise econômica na Rússia, provocada pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções ocidentais impostas pelo conflito na Ucrânia. Trata-se do período de recessão mais longo desde a chegada de Putin ao poder em 1999.

O contexto político também é excepcional, já que são as primeiras eleições em escala nacional desde a anexação da península da Crimeia, em 2014, e do início do conflito no leste separatista da Ucrânia.

Nessa região, os habitantes participam pela primera vez das eleições russas.

"Eu fui fui votar e todos os meus familiares e vizinhos também. Estamos com a Rússia", declarou Valentina, uma aposentada da península, enquanto que os representantes da comunidade tártara da Crimeia, minoria muçulmana oposta à anexação, pediram o boicote dos comícios.

Além das legislativas (com mais de 6.500 candidatos de 14 partidos que lutam por 450 cadeiras Duma Estatal), os eleitores também foram convocados a votar em governadores regionais, como no caso do presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, que pela primeira vez enfrenta as urnas desde que o Kremlin o nomeou em 2007.

A oposição liberal, que dessa vez teve mais candidatos do que nas eleições anteriores, fracassou na hora de superar questões internas e não conseguiu apresentar uma lista comum.

Contra a potente máquina do govenro, os opositores que avançam de forma dispersa não conseguimos gerar entusiasmo nos eleitores, que preferiram votar no partido do governo ou abster-se.

"A campanha eleitoral não teve qualquer interesse. Prometem muito, mas nada muda", lamentou Alexander, em Moscou.

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