Chile recorda homicídio do chanceler Letelier nos EUA por ditadura de Pinochet

Santiago, 20 Set 2016 (AFP) - O Chile recorda nesta quarta-feira o 40º aniversário do assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier, em Washington, em 1976, o primeiro atentado em território americano ordenado diretamente pelo ditador Augusto Pinochet contra um opositor a seu regime.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, vai liderar a delegação que prestará uma homenagem a Letelier, na capital americana. Ele foi morto por uma bomba escondida em seu veículo, em 21 de setembro de 1976.

Nesta quinta-feira (22), a presidente inaugura um enorme painel pintado por um filho do ex-chanceler, Francisco Letelier, na American University e, no dia 23, presidirá em Sheridan Circle, lugar do atentado, uma homenagem ao ex-ministro do deposto presidente socialista Salvador Allende pelo golpe militar de Augusto Pinochet, em 11 de setembro de 1973.

Além disso, um representante do governo dos Estados Unidos entregará a Bachelet um novo pacote de documentos da Inteligência e da Diplomacia americanas, "desclassificados" recentemente e com informações sobre o atentado.

"Para a presidente, é sumamente importante" assistir a essa comemoração, depois de participar da Assembleia Geral em Nova York nesta terça e quarta-feira, garantem fontes da Chancelaria.

O atentado contra Letelier, um dos opositores mais ferrenhos do regime militar e com maior visibilidade internacional, foi executado por um grupo de agentes da Dina, a temida Polícia Secreta de Pinochet. Entre eles, está Michael Townley, um ex-agente da CIA também autor do atentado em 1974, no qual morreram o então comandante-em-chefe do Exército Carlos Prats e sua mulher, em Buenos Aires.

Ronni Moffitt, assistente de Letelier, também faleceu na explosão da bomba colocada no veículo que o chanceler dirigia e que foi ativada remotamente. Seu marido, Michael Moffitt, ficou ferido.

Onze dias antes do atentado, Pinochet já havia retirado sua nacionalidade chilena.

"Foi o primeiro ato terrorista cometido por um governo estrangeiro na cidade de Washington", disse à AFP o atual embaixador do Chile em Washington e colaborador próximo de Letelier, Juan Gabriel Valdés.

Longa batalha pela verdadeSempre se suspeitou que, por trás do assassinato de Letelier, estava o regime militar de Pinochet. A certeza veio com um documento da CIA tornado público no ano passado, datado de abril de 1978, em que se confirma que a Dina "autorizou o assassinato de Letelier sob ordens de Pinochet".

Durou mais de 15 anos, a batalha de Fabiola Letelier, irmã do ex-chanceler e uma reconhecida advogada de direitos humanos, na Justiça chilena para estabelecer a verdade, "um longo caminho que ainda não terminou", disse à AFP.

Segundo uma investigação do FBI (a Polícia Federal americana), um grupo de cubanos anticastristas junto com agentes da Dina, a temida polícia secreta da ditadura de Pinochet, foram os cérebros do atentado.

Junto com Michael Townley, a mão que ativou a bomba, foram identificados como responsáveis pelo atentado o então chefe da Dina, Manuel Contreras, e os agentes chilenos Armando Fernández Larios e Pedro Espinoza.

Contreras morreu atrás das grades, no ano passado, no Chile, após ser condenado a 500 anos de prisão por outros crimes de lesa-humanidade.

Já Townley foi extraditado do Chile para os Estados Unidos, em 1978, e Fernández Larios se entregou dez anos depois. Ambos foram processados, mas sua colaboração com a Justiça americana lhes permitiu ficar livres e, hoje, vivem nesse país.

Falecido em 2006, Pinochet nunca foi julgado por esse caso, mas a Justiça conseguiu processá-lo por algumas das mais de 3.200 vítimas, entre mortos e desaparecidos, deixados por seu regime (1973-1990), assim como por enriquecimento ilícito. Nunca foi preso.

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