Farc pedem perdão por massacre em La Chinita

Em Apartadó (Colômbia)

  • Fredy Builes/Reuters

    Familiares das vítimas do massacre de La Chinita caminham antes de reunião com líderes das Farc em Apartadó, na Colômbia

    Familiares das vítimas do massacre de La Chinita caminham antes de reunião com líderes das Farc em Apartadó, na Colômbia

Entre lágrimas e abraços, membros das Farc se desculparam nesta sexta-feira (30) da população de La Chinita, um bairro pobre de Apartadó, no noroeste da Colômbia, 22 anos após o massacre que deixou 35 mortos.

Após firmar o acordo de paz - na segunda-feira passada - com o governo de Juan Manuel Santos, líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram a La Chinita para reconhecer seu erro e pedir perdão aos familiares e amigos das vítimas.

A jornada começou com uma passeata pelas ruas de La Chinita, onde os familiares das vítimas se vestiram de branco e trouxeram no peito os nomes dos mortos no massacre.

Carregando flores brancas, o grupo recordou os mortos no dia 23 de janeiro de 1994, quando uma festa para arrecadar fundos para escolas se transformou em um massacre, com os guerrilheiros executando as vítimas diante de seus familiares.

O chefe negociador de paz das Farc, Iván Márquez, abraçou e tentou confortar alguns familiares de vítimas.

"Viemos a La Chinita 22 anos após aquele triste 23 de janeiro, com o coração partido, para pedir perdão com humildade por toda a dor que causamos", disse Márquez em seu discurso.

"Jamais deveria ter ocorrido isto naquela noite de alegria e festa popular. Jamais o comando das Farc ordenou tal atrocidade, mas estamos aqui para responder", disse Márquez, que negociou a paz com o governo durante quase quatro anos.

Ciro Abadía, presidente da Associação das Vítimas de Antioquia (Asovima), declarou que La Chinita foi "um massacre anunciado", pois ocorreu em uma época em que as Farc perseguiam como "traidores" os membros do desmobilizado Exército Popular de Libertação (EPL), que havia firmado a paz em 1991.

O objetivo era "aniquilar o processo de paz" com o EPL, mas "executaram apenas um ex-combatente, os demais eram pessoas inocentes".

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