Governo sírio avança em Aleppo; principal hospital da zona rebelde é bombardeado

Alepo, Síria, 1 Out 2016 (AFP) - O maior hospital dos bairros rebeldes de Aleppo foi bombardeado neste sábado (1º), pela segunda vez esta semana, enquanto o governo sírio e sua aliada Rússia prosseguem com a campanha militar para retomar a totalidade da segunda maior cidade da Síria.

Lançada em 22 de setembro, a ofensiva permitiu às forças pró-governo ganharem terreno em detrimento dos rebeldes no centro e no norte de Aleppo, com o apoio dos bombardeios. Os ataques aéreos mataram dezenas de civis e provocaram cenas de destruição.

Dividida desde 2012 em um setor oeste, controlado pelo governo, e uma parte leste, nas mãos dos rebeldes, Aleppo se tornou a principal frente de batalha da guerra na Síria. Já são mais de 300.000 mortos em cinco anos.

Quase 250.000 pessoas, incluindo 100.000 menores de idade, vivem nos bairros controlados pelos insurgentes e sofrem, segundo a ONU, "a catástrofe humanitária mais grave já vista na Síria".

Os esforços diplomáticos para restabelecer um cessar-fogo no país parecem completamente sepultados, apesar de o governo dos Estados Unidos, que apoia a oposição, ter afirmado na sexta-feira (30) que o diálogo com a Rússia, aliada de Damasco, não estava morto.

O Ministério russo das Relações Exteriores informou, na tarde deste sábado, que o chanceler Serguei Lavrov conversou com o secretário de Estado americano, John Kerry, e que, juntos, "analisaram a situação na Síria". Entre os temas conversados, esteve "a normalização da situação em Aleppo".

Além disso, o ministro russo denunciou que "há grupos armados ilegais" que continuam combatendo na cidade, apesar dos acordos entre seu país e os Estados Unidos.

Enquanto isso, a situação na área médica é catastrófica nos bairros rebeldes de Aleppo. Dois barris explosivos atingiram neste sábado o maior hospital da zona, de acordo com a Syrian American Medical Society (SAMS).

"Se fala do uso de uma bomba de fragmentação", afirmou Adham Sahloul, diretor da SAMS, uma ONG com sede nos Estados Unidos, que administra o hospital.

Segundo ele, pacientes e funcionários estavam no edifício no momento do ataque.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que uma pessoa morreu no ataque.

Um correspondente da AFP observou camas com manchas de sangue, material médico no chão e janelas quebradas no local, enquanto os funcionários examinavam os escombros e os danos.

Um médico do hospital relatou que, à tarde, foi lançado outro barril de explosivos "diante do hospital".

"O ataque forçou a equipe médica que estava presente em algumas unidades a evacuar todos os pacientes para outros estabelecimentos", contou.

Crime de guerraO secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, denunciou como "crimes de guerra" o bombardeio, na última quarta-feira (28), deste e de outro hospital de Aleppo.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, condenou esse "ataque hediondo", o qual também classificou de "crime de guerra".

Os dois hospitais ficaram inoperantes após os ataques de quarta-feira, os quais deixaram apenas seis centros médicos em funcionamento na zona leste da cidade, segundo a SAMS.

Durante toda a noite, ouviu-se o barulho dos combates e dos bombardeios no bairro de Suleiman-Al Halabi, no centro da cidade, e no de Bustan Al-Basha, no norte, constatou um correspondente da AFP.

De acordo com o OSDH, o regime ganhou terreno em Suleiman Al-Halabi, um bairro que fica na linha de demarcação, e está se aproximando da Bustan Al-Basha.

A ONG informou que bombardeios foram registrados neste sábado contra áreas da parte rebelde de Aleppo, mas não divulgou um balanço de vítimas.

Os insurgentes também perderam terreno recentemente ao nordeste da cidade, o que permite às forças pró-governo ameaçar os bairros rebeldes de Hellok e Haydariye.

Desde o início da ofensiva do Exército contra Aleppo Oriental, os bombardeios da Força Aérea russa, os barris de explosivos lançados pelos helicópteros do regime sírio e os disparos artilhariam mataram pelo menos 220 pessoas, segundo o OSDH.

O Ocidente acusa o governo Assad e a Rússia de utilizarem contra as zonas civis de Aleppo armas normalmente destinadas a alvos militares, como bombas "antibunker", incendiárias e de fragmentação.

Para o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, o ataque contra o hospital "não faz mais do que confirmar a urgência absoluta de um cessar-fogo em Aleppo e de que a população civil tenha acesso à ajuda humanitária".

Moscou rebateu as acusações de "crimes de guerra" e ressaltou que vai prosseguir com a campanha militar de apoio ao regime de Bashar Al-Assad, iniciada há um ano.

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