Israel critica declarações do presidente filipino sobre Hitler

Jerusalém, 1 Out 2016 (AFP) - Israel criticou neste sábado as declarações do presidente filipino, Rodrigo Duterte, que na sexta-feira fez uma comparação entre sua violenta guerra contra a criminalidade e o extermínio dos judeus por Adolf Hitler, afirmando que ficaria "feliz de massacrar" milhões de viciados.

"É uma declaração infeliz e estamos convencidos que o presidente filipino encontrará a forma de esclarecer suas declarações", afirma em um comunicado o ministério das Relações Exteriores de Israel.

Neste sábado, o presidente filipino se recusou a voltar atrás na declaração.

"Não buscamos minimizar a morte de seis milhões de judeus durante o holocausto", afirma em um comunicado o porta-voz do presidente, Ernesto Abella.

"Duterte fez referência a sua 'vontade de matar' três milhões de traficantes de drogas para preservar o futuro da próxima geração e o país", completou.

Israel e Filipinas têm relações diplomáticas, com a presença de embaixadores desde os anos 1960. O governo filipino foi o único asiático a votar em 1947 a resolução da ONU sobre a partilha da Palestina que previa, entre outros pontos, a criação do Estado de Israel.

Duterte, conhecido por sua franqueza, muitas vezes ofensiva, chamou de "hipócritas" a União Europeia e os Estados Unidos, que criticaram sua violenta campanha contra o tráfico de drogas.

"Hitler massacrou três milhões de judeus. Pois há três milhões de drogados nas Filipinas. Ficarei feliz em massacrá-los", declarou em um discurso na sexta-feira.

Na realidade os nazistas mataram seis milhões de judeus.

O paralelismo entre Hitler e o extermínio de judeus e a campanha de combate ao crime nas Filipinas provocou reações de indignação, em particular nos Estados Unidos e na Alemanha.

O presidente do Congresso Judaico Mundial, Ronald Lauder, chamou de "indignas" as declarações de Duterte e exigiu um pedido de desculpas.

Desde que Duterte tomou posse em 30 de junho, mais de 3.300 pessoas morreram, em sua grande maioria por civis estimulados pela retórica incendiária do presidente, que defende que se faça justiça com as próprias mãos.

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