Húngaros dizem 'não' a imigrantes, mas referendo não atinge quórum mínimo

Budapeste, 2 Out 2016 (AFP) - O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, sofreu um revés neste domingo (2) em seu referendo contra o plano de cotas de imigrantes da União Europeia (UE), que registrou uma participação abaixo dos 50% necessários - de acordo com números oficiais, após a apuração de 99,6% dos votos.

A União Europeia "não poderá impor sua vontade à Hungria" em matéria de imigração, declarou Orban, depois do anúncio do resultado.

"Bruxelas não poderá impor sua vontade à Hungria", disse o líder conservador em um discurso, acrescentando que espera "fazer Bruxelas compreender que não pode ignorar a vontade de 99,2% dos eleitores".

Como se antecipava, os eleitores do "não" atingiram 98,3% do total, mas apenas 39,8% dos oito milhões de inscritos compareceram às urnas, o que invalida o resultado, segundo os números divulgados pelo vice-presidente do partido, Gergely Gulyas.

Gulyas disse, porém, que o resultado é "uma vitória esmagadora para todos aqueles que rejeitam o plano de realocação, para aqueles que acreditam em que os Estados-nação deveriam permanecer e para aqueles que acreditam na democracia".

Antevendo há alguns dias uma possível vitória contrariada pela abstenção, o conservador Viktor Orban sempre reiterou que a prioridade era a porcentagem alcançada pelo "não".

"Estou orgulhoso de que sejamos os primeiros [na Europa] a responder a essa questão nas urnas, mesmo que estejamos sozinhos, infelizmente", declarou Orban, ao votar, por volta das 9h locais (4h, horário de Brasília), em Budapeste.

"Com o referendo, podemos enviar uma mensagem para cada europeu: lhes dizer que depende de nós, cidadãos europeus, fazer que a UE entre na razão, com um esforço comum, ou deixá-la se desintegrar", insistiu o dirigente.

"Que ninguém me diga que todos esses imigrantes fogem da guerra", soltou Zoltan, um advogado de 38 anos, que votou "não".

Em Bruxelas, as autoridades europeias temiam que a consulta húngara aplicasse um novo golpe ao bloco, já abalado pela crise migratória e pelo "Brexit".

"Se se organizam referendos sobre cada decisão dos ministros e do Parlamento Europeu, a autoridade da lei está em perigo", advertiu há meses o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Neste domingo, o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, denunciou um "jogo perigoso".

O partido conservador Fidesz está no poder desde 2010 na Hungria, e seu único verdadeiro rival é o partido de ultradireita Jobbik.

Cerca de 8,3 milhões de eleitores foram convocados para responder à pergunta: "Quer que a União Europeia decrete a realocação obrigatória de cidadãos não-húngaros na Hungria sem a aprovação do Parlamento húngaro?".

As seções eleitorais abriram as portas às 6h locais (4h, horário de Brasília) e fecharam às 19h (17h, em Brasília).

Mais de 400.000 imigrantes transitaram pela Hungria em 2015, a maior parte deles antes de que serem instaladas as cercas nas fronteiras da Sérvia e da Croácia.

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