Colômbia: Santos reabre diálogo de paz e confirma chefe negociador com Farc

Bogotá, 3 Out 2016 (AFP) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reabriu nesta segunda-feira o diálogo em busca da paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e confirmou no cargo seu chefe negociador, Humberto de la Calle, após o referendo que rejeitou o acordo com a guerrilha.

"Designei o doutor Humberto de la Calle - que ratifiquei como chefe negociador - a chanceler María Ángela Holguín e o ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, para que, na maior brevidade, iniciem os diálogos que nos permitam abordar todos os temas necessários para obter um acordo e culminar com sucesso o sonho de toda a Colômbia de acabar com a guerra com as Farc", disse Santos em mensagem à Nação.

O presidente agradeceu o apoio de representantes políticos, com quem se reuniu mais cedo, "para continuar buscando a paz e para estabelecer os diálogos necessários para não jogar fora os quase seis anos de grandes esforços que culminaram com o acordo com as Farc".

O pacto selado há uma semana em Cartagena com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi o resultado de negociações iniciadas quando Santos assumiu seu primeiro governo, em 2010, mandato para o qual foi reeleito em 2014.

A fase pública das negociações começou em novembro de 2012, por meio diálogos formais em Havana, mediados por Cuba e Noruega, e com acompanhamento de Venezuela e Chile.

Santos agradeceu "as manifestações de apoio e de estímulo para não enfraquecer na busca da paz" que recebeu nas últimas horas por parte da comunidade internacional.

"O país precisa de unidade. Temos que deixar para trás os rancores, os ódios e a polarização que tanto nos faz mal", afirmou após a vitória do "Não" por 50,21% dos votos.

Santos saudou a indicação de três porta-vozes do Centro Democrático liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, grande impulsionador da campanha contra o acordo de paz com as Farc, "para sentar-se para dialogar e levar o processo de paz ao final feliz".

"Teremos que atuar com prontidão e colocar limites de tempo, pois a incerteza e a falta de clareza sobre o que acontecerá colocam em risco tudo o que foi construído até agora", afirmou.

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