Ofensiva talibã na véspera de conferência de doadores para o Afeganistão

Konduz, Afeganistão, 3 Out 2016 (AFP) - Os talibãs executaram nesta segunda-feira um ataque coordenado contra Kunduz, importante cidade do norte do Afeganistão que controlaram por alguns dias no ano passado, em mais uma prova da instabilidade persistente no país na véspera de uma conferência de doadores em Bruxelas.

A reunião, prevista para terça-feira e quarta-feira com delegações de 70 países, examinará a ajuda financeira para o Afeganistão até 2020, com o objetivo declarado de evitar que o país entre em colapso.

O ataque desta segunda-feira em Kunduz começou às 3H00 locais nas entradas sul e leste da cidade. Os combates com as forças do governo prosseguiam durante a manhã.

O ataque foi, ao que parece, bem planejado, com quatro colunas de combatentes que convergiram simultaneamente para o centro, de acordo com várias fontes.

"As ruas estão totalmente desertas, o comércio está fechado, os talibãs cercam completamente a cidade", disse um morador à AFP.

"Estamos bloqueados em nossa casa pelos combates", completou.

O porta-voz dos talibãs reivindicou o ataque "como parte da ofensiva Omari", nome do ex-líder talibã, o mulá Omar, iniciada na primavera (hemisfério norte, outono no Brasil).

"Esta manhã nossos mujahedines lançaram uma ofensiva na cidade de Kunduz a partir de quatro pontos", afirmou Zabihullah Mujahid em um comunicado.

"Avançamos rapidamente, matando e ferindo muitas forças inimigas", disse.

- "Combates nas casas" -De acordo com o porta-voz do governo de Kunduz, Mahmood Danish, "as forças de segurança expulsaram os talibãs em um distrito, mas os combates prosseguiam ao redor e perto do hospital".

Danish, que não divulgou um balançod e vítimas, acusou os rebeldes de "buscar refúgio e tomar posição nas casas dos civis".

Os talibãs marcaram com o ataque o primeiro aniversário da breve tomada de controle de Kunduz, única capital provincial que conseguiram conquistar desde que seu governo foi derrubado em 2001.

Eles também mostram sua presença para as potências ocidentais que apoiam o governo de união nacional do presidente Ashraf Ghani e do primeiro-ministro Abdullah Abdullah. Atualmente, sob a bandeira da Otan, 10.000 militares estão no Afeganistão, principalmente americanos.

Os talibãs exigem a saída das forças estrangeiras e o fim de qualquer intervenção ocidental no "emirado islâmico do Afeganistão", que consideram uma "ocupação colonial".

Os talibãs denunciaram em um comunicado que a conferência de Bruxelas pretende "mais uma vez encher os bolsos das empresas estrangeiras e seus sócios, sem melhorar em nada o dia a dia da dos cidadãos comuns.

A conferência de dois dias deve ter a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assim como do secretário de Estado americano, John Kerry.

O Afeganistão deve obter promessas de ajuda financeira de pelo menos três bilhões de euros por ano até 2020, de acordo com fontes europeias.

Em um contexto de crises múltiplas no Oriente Médio, "ninguém pode permitir que o Afeganistão volte a ser desestabilizado", afirmou uma fonte diplomática europeia.

str-mam/fp

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