Vitória dos defensores de elefantes em reunião sobre marfim na África do Sul

Johannesburgo, África do Sul, 3 Out 2016 (AFP) - O organismo de defesa de espécies selvagens proibiu nesta segunda-feira em Johannesburgo que Namíbia e Zimbábue vendam suas reservas de marfim de elefantes, uma decisão comemorada pelas organizações de defesa dos animais.

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Selvagens em Perigo (CITES) "votou contra a proposta de Namíbia e Zimbábue de autorizar o comércio internacional de seus #elefantes", anunciou em um tuíte, ao término de vários dias de reunião centrada neste controverso comércio e nos efeitos devastadores da caça ilegal de elefantes.

O comércio internacional de marfim está oficialmente proibido desde 1989, mas Namíbia e Zimbábue - cujas populações de elefantes foram menos dizimadas que em outros países vizinhos - fizeram uma proposta para que fosse autorizada a venda de suas reservas de marfim confiscadas ou procedentes de elefantes mortos de morte natural.

Seu anunciado objetivo era encontrar meios para financiar seus programas de proteção. Efetivamente, o CITES permitiu em algumas ocasiões a venda de reservas de marfim a Japão e China, em 1999 e em 2008.

Mas, desta vez, em uma votação de caráter secreto de seus 182 membros, além da União Europeia (UE), as propostas dos dois países africanos foram claramente derrotadas.

A UE havia informado antes da votação que apoiaria "a manutenção da proibição internacional do comércio de marfim".

- Devastadora caça ilegal -"Os elefantes africanos estão em grave declínio em muitas partes do continente devido à caça ilegal para obter seu marfim. Permitir o comércio legal de marfim teria dificultado os esforços na luta para preservá-los", declarou Ginette Hemley, responsável pela delegação da organização de proteção da natureza WWF ante a CITES.

A proteção dos paquidermes, caçados pelos traficantes por suas presas de marfim, é um dos principais objetivos da reunião da CITES.

Segundo números publicados pela União Internacional para a Proteção da Natureza (UICN), o número de elefantes africanos vítimas de tráfico aumentou dramaticamente na última década até chegar a 110.000 cabeças.

A África conta atualmente com cerca de 415.000 elefantes - exatamente 111.000 menos que há dez anos - segundo um relatório do UICN, baseado em 275 balanços por todo o continente.

"O forte aumento da caça ilegal, que começou há uma dezena de anos, é a principal causa do declínio" da população de elefantes, explicou a UICN. Além disso, o crescente desaparecimento de habitats naturais para os elefantes também ameaça a espécie, acrescenta.

Uma coalizão de 29 países africanos havia pedido a interrupção total do comércio de marfim para acabar com a caça ilegal de elefantes, mas outros delegados consideravam que isso só faria os preços aumentarem.

A CITES, cuja reunião em Johannesburgo termina na quarta-feira, regula a proteção de 5.600 espécies animais e de 30.000 espécies de plantas.

O comércio ilegal de espécies selvagens está avaliando em 20 bilhões de dólares ao ano, segundo a CITES.

- Tubarões protegidos -Nesta segunda-feiram a conferência votou pela listagem de 13 espécies de tubarões e raias no Apêndice II, banindo o comércio de suas partes, exceto sob condições muito rigorosas.

A pesca não regulamentada e o comércio de produtos provenientes de tubarões para consumo humano tiveram uma queda acentuada, com um estudo de 2013 que estimou que 100 milhões de tubarões são mortos anualmente.

Os tubarões são caçados por sua carne, pele, cartilagem, além de serem pescados acidentalmente.

As barbatanas são a parte mais valiosa, consumida em grandes banquetes na China, em Hong Kong e em Cingapura.

kvs-pa/ms/jhd/me.

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