CIJ rejeita ações das Ilhas Marshall contra Índia e Paquistão sobre corrida nuclear

Haia, 5 Out 2016 (AFP) - A Corte Internacional de Justiça (CIJ) se declarou nesta quarta-feira incompetente na denúncia das Ilhas Marshall contra Índia e Paquistão, acusados por este arquipélago de não terem abandonado a "corrida" pela bomba atômica.

Nesta quarta-feira, a CIJ, que tem sede em Haia, deve decidir também sobre a denúncia apresentada contra o Reino Unido.

Os 16 juízes da CIJ votaram de maneira dividida: nove se pronunciaram a favor de declarar a corte incompetente e sete pensavam o contrário.

As Ilhas Marshall, arquipélago de 55.000 habitantes apresentou demandas contra Índia, Paquistão e Grã-Bretanha. O país acusou estes países de não terem abandonado a corrida pelas armas nucleares.

Inicialmente, o objetivo das Ilhas Marshall era ainda mais ambicioso, pois a demanda incluía China, França, Coreia do Norte, Rússia, Estados Unidos e Israel, apesar deste país nunca ter confirmado possuir armamento atômico.

Mas o processo só pode seguir adiante se os países objeto da ação reconhecem a autoridade da CIJ na questão.

As Ilhas Marshall têm uma dolorosa relação com as armas atômicas. O arquipélago é um dos poucos países que podem falar com conhecimento de causa de seu impacto.

Entre 1946 e 1958, o governo dos Estados Unidos testou 67 armas nucleares de diferentes potências nos atóis de Bikini e Enewetak, quando as Ilhas Marshall estavam sob administração americana.

A bomba de hidrogênio Castle Bravo, testada em 1954, é considerada mil vezes mais potente que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima em 1945.

Muitos moradores foram retirados de suas terras e milhares de pessoas se viram expostas aos efeitos radioativos.

"Várias ilhas foram destruídas ou se tornaram inabitáveis por milhares de anos", afirmou em Haia o ex-chanceler Tony deBrum.

DeBrum iniciou o processo na CIJ em 2014, com a ajuda da Nuclear Age Peace Foundation, associação com sede na Califórnia.

Por este motivo teve o nome apresentado como um candidato ao prêmio Nobel da Paz de 2016.

Mas alguns moradores das ilhas consideravam o processo desnecessário por não ter relação com as verdadeiras reivindicações das vítimas: indenizações maiores, um sistema de saúde melhor e a limpeza dos locais afetados para que voltem a ser habitáveis.

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