Comunidade internacional confirma apoio financeiro ao Afeganistão

Bruxelas, 5 Out 2016 (AFP) - A comunidade internacional reconheceu nesta quarta-feira os esforços de desenvolvimento e de paz do governo afegão ao arrecadar 15,2 bilhões de dólares para o período de 2017 a 2020 e prometer que prolongará sua ajuda ao país.

O presidente afegão Ashraf Ghani, que organizou a conferência com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, havia obtido inicialmente promessas de ajuda financeira de pelo menos menos três bilhões de euros até 2020.

"Agora não é o momento de reduzir nossa ambição ou nosso investimento no povo do Afeganistão [...] Por isso, fico feliz em anunciar que nós nos comprometemos a dar um notável e impressionante montante de 15,2 bilhões de dólares", indicou o comissário europeu de Cooperação Internacional e Desenvolvimento, Neven Mimica.

A conferência arrecada assim um valor bastante próximo aos 16 bilhões de dólares arrecadados na anterior, em Tóquio, em 2012.

A conferência teve a presença de representantes de mais de 70 países, entre eles o secretário de Estado americano, John Kerry.

O encontro serviu para expressar o desejo da comunidade internacional de que se alcance a paz no Afeganistão.

John Kerry fez um apelo aos talibãs para que sigam o exemplo de outro grupo rebelde afegão e alcancem uma paz "honrosa" com Cabul, para garantir a reconstrução do país devastado por décadas de conflito.

"Há um caminho para um fim honroso do conflito que os talibãs têm travado, um conflito que não pode ser vencido no campo de batalha", disse Kerry em Bruxelas durante uma conferência internacional de doadores.

O chefe da diplomacia americana se referia ao acordo de paz assinado no mês passado entre Cabul e Gulbuddin Kekmatyar, um senhor de guerra afegão conhecido como o "carniceiro de Cabul" que liderou o movimento armado Hezb-i-Islami.

"A mensagem para os talibãs deveria ser: tomem nota", destacou.

Para Kerry, "uma solução negociada com o governo afegão é a única maneira de acabar com os combates, garantir uma estabilidade duradoura e obter uma redução total das forças militares internacionais".

O governo dos Estados Unidos, que liderou uma intervenção militar no Afeganistão em 2001 para expulsar os talibãs do poder após os atentados de 11 de setembro em Nova York, ainda mantém 9.800 soldados no país, número que deve cair para 8.400 na próxima semana.

Para o presidente Ashraf Ghani, que assinou a paz com Kekmatyar, "os afegãos podem fazer a paz e farão a paz".

"Estamos comprometidos em políticas construtivas, não destrutivas", acrescentou.

A conferência de doadores do Afeganistão acontece dois dias antes do 15º aniversário da intervenção militar no Afeganistão liderada pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro em Nova York.

Apesar de a operação conseguir seu objetivo de derrubar os talibãs, esta rebelião continua sendo uma ameaça real, como mostra a tomada, durante algumas horas, na segunda-feira da cidade de Kunduz.

A União Europeia (UE) e seus países membros, por sua vez, anunciaram que concederão uma ajuda de 1,2 bilhão de euros ao Afeganistão até 2020, informou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, antes mesmo do início da conferência.

"A UE e os Estados membros prometem 1,2 bilhão de euros e esperam níveis similares de compromissos de nossos sócios", afirmou Mogherini, para quem o Afeganistão recebe assim "o pleno apoio da comunidade internacional não apenas com palavras".

Os Estados Unidos gastaram cerca de 110 bilhões de dólares na reconstrução do Afeganistão em 15 anos, mais do que custou o Plano Marshall para a Europa depois da Segunda Guerra Mundial, mas seus resultados são limitados.

A ajuda internacional é, no entanto, crucial para o governo afegão, que destina dois terços de seu orçamento à segurança, segundo um relatório da Comissão Europeia.

O presidente afegão afirmou que a prioridade de seu governo é reduzir e eliminar a pobreza. "No total, 39% dos afegãos vivem abaixo do limite da pobreza, com menos de 1,35 dólar diários", afirmou.

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