Santos declara cessar-fogo com Farc até 31 de outubro

Bogotá, 5 Out 2016 (AFP) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, declarou nesta terça-feira (4) que o cessar-fogo com as Farc vai até 31 de outubro, à espera de uma solução para o conflito com essa guerrilha após a rejeição ao pacto de paz no referendo.

"Decretou-se o cessar-fogo bilateral e definitivo com as Farc até 31 de outubro, e eu espero que possamos avançar (...) para concretizar os acertos e os acordos que nos permitam pôr em marcha a solução para esse conflito", declarou Santos em pronunciamento transmitido pela televisão da Casa de Nariño, sede da Presidência.

Um cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo está em vigor entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) desde 29 de agosto, quando foi declarado por ambas as partes, após o acordo alcançado em 24 de agosto, depois de quase quatro anos de negociações em Cuba.

Selado em 26 de setembro em Cartagena, o acordo foi rejeitado em um referendo no último domingo (2), com 50,21% para o "não", e 49,78%, para o "sim".

Apesar da vitória do "não", tanto Santos quanto as Farc confirmaram sua intenção de manter o cessar-fogo, sem especificar datas, ou prazos.

Pouco antes do anúncio de Santos, o chefe supremo das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como "Timoleón Jiménez", ou "Timochenko", que está em Havana, falou sobre o assunto.

"@JuanManSantos anuncia que o cessar-fogo com as @FARC_EPueblo vai até 31 de outubro. Daí em diante continua a guerra?" - postou no Twitter.

Posteriormente, Londoño escreveu: "convocamos o povo colombiano a apoiar decididamente, mediante a mobilização, o Acordo Final #PazALaCalle "LaPazNoSeDetiene".

Outro líder guerrilheiro, Pastor Alape, convocou a tropas rebeldes a "iniciar o deslocamento para posições seguras para evitar provocações dos que rejeitam o acordo de paz".

Nesta terça, o chefe negociador do governo, Humberto de la Calle, e o alto comissário da Paz, Sergio Jaramillo, reuniram-se em Havana com a delegação de paz das Farc para analisar os próximos passos após a derrota nas urnas.

O analista Jorge Restrepo explicou que o cessar-fogo bilateral e definitivo "dependia" da vitória do "sim" no referendo, e que a rejeição do acordo de paz "supõe o reinício do conflito".

"A Colômbia tem 27 dias para encontrar um novo acordo. Do contrário, volta o conflito", disse à AFP o diretor do centro de análises do conflito Cerac.

Em seu último "Monitor do Cessar-Fogo Bilateral e de Hostilidades", datado de 30 de setembro, o Cerac constatou o "cumprimento integral" da trégua.

"Não se registrou qualquer ação armada violatória do cessar-fogo. Também não se registrou operação militar ofensiva".

"Nenhuma das partes realizou ações violentas que geraram riscos humanitários".

A Colômbia vive um conflito armado de mais de 50 anos - envolvendo guerrilhas, paramilitares e a força pública - que já deixou 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

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