Colômbia recusa investigação da ONU de desaparecimentos não resolvidos por sua justiça

Genebra, 6 Out 2016 (AFP) - A Colômbia recusou nesta quinta-feira, ao comparecer diante do Comitê das Nações Unidas Contra o Desaparecimento Forçado, que os casos individuais de desaparecimento não esclarecidos por sua própria Justiça possam ser apresentados nesta instância.

Até o dia 31 de julho de 2016 não haviam sido iniciados na Colômbia 74.381 procedimentos judiciais sobre desaparecimentos, com 82.505 vítimas, que geraram 10.518 diligências penais, as quais produzem um resultado de 789 agentes do Estado formalmente acusados, segundo dados fornecidos na audiência pela embaixadora colombiana em Genebra, Beatriz Londoño Soto.

Diante de especialistas que integram o comitê e que solicitam o exame de casos individuais não resolvidos, a embaixadora respondeu "tomamos nota", o que equivale a uma negativa na terminologia da ONU.

As organizações não governamentais expressaram sua decepção com a posição do governo colombiano.

"É inaceitável que a delegação do Estado colombiano não tenha mostrado nenhuma vontade política de permitir que as vítimas apresentem casos individuais, onde nossa esperança é que se abram caminhos para saber onde estão nossos entes queridos, que chegam a 80.000 segundo números oficiais", declarou a Fundação Nydia Erika Bautista, uma ONG colombiana que esteve presente no debate.

"O governo insiste em não aceitar a competência do Comitê das Nações Unidas Contra o Desaparecimento Forçado para receber e examinar casos, afirmando que tem um sistema garantidor da proteção dos direitos, argumento que perde seu peso ao conhecer o nível de impunidade dos casos de desaparecimento forçado, que é de 99%", indicou Manon Yard, das Brigadas Internacionais de Paz.

Ana María Rodríguez, da Comissão Colombiana de Juristas, destacou: "continuam ocorrendo desaparecimentos forçados na Colômbia. A resposta estatal produzir resultados tão precários diante disso são uma razão a mais para insistir que o Acordo de Paz se concretize já e se coloque em prática".

No domingo passado, contra todos os prognósticos, a Colômbia votou "não" ao acordo de paz que buscava colocar fim a 52 anos de conflito armado com a guerrilha das Farc. As negociações em Havana entre o governo de Santos e as Farc foram rejeitados por 50,21% dos votantes, diante de 49,78% que votaram a favor.

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