Israel expulsará passageiras de 'Barco das Mulheres' que ia a Gaza

Jerusalém, 6 Out 2016 (AFP) - Israel deteve as 13 passageiras de um barco que tentava chegar ao enclave palestino de Gaza para entregar ajuda, e anunciou que as expulsará.

Entre as detidas encontra-se a septuagenária norte-irlandesa Mairead Maguire, prêmio Nobel da Paz em 1976. As mulheres foram levadas a partir das 3h00 locais à prisão de Ramle (centro de Israel), indicou à AFP uma porta-voz da administração penitenciária. "Estão aqui à espera de ser expulsas", explicou.

Duas delas, jornalistas, "foram para o aeroporto", declarou Sabin Haddad, porta-voz da Autoridade da População e da Imigração. As demais serão detidas por 96 horas antes de ser expulsas, salvo se decidirem ir embora antes, indicou à AFP.

A bordo do pequeno veleiro interceptado havia 13 mulheres, de estudantes à prêmio Nobel, procedentes de África do Sul, Nova Zelândia e Malásia. Embarcaram na Europa para tentar chegar a Gaza, enclave palestino, submetido desde 2006 a um rígido embargo israelense, e controlado pelo Hamas, que enfrentou Israel em três guerras entre 2008 e 2014.

Seu objetivo era tentar alcançar esta região isolada do mundo, não apenas pelo bloqueio israelense, mas também por parte do Egito, e atrair a atenção de todo o mundo sobre seus 1,9 milhão de habitantes, que sofreram três guerras e estão afundados na pobreza e no desemprego.

Em Gaza, muitas pessoas estavam esperando no porto a chegada do barco com música e festejos. Também estava prevista a saída de barcos para além do limite de seis milhas, a partir do qual o exército lança disparos de advertência ou inclusive abre fogo.

- Não se dão por vencidas -Mas na quarta-feira à noite a Marinha israelense frustrou suas esperanças e interceptou o veleiro a 35 milhas náuticas (65 km) da costa da Faixa de Gaza, antes de escoltá-lo ao porto israelense de Ashdod.

"Estamos muito decepcionadas pelos habitantes de Gaza que nos esperavam, mas não nos damos por vencidas. Enquanto houver bloqueio, haverá flotilhas", afirmou à AFP Claude Léostic, porta-voz da operação, que já tentou chegar a Gaza por via marítima.

"Continuamos sem ter nenhum contato com as passageiras do Zaytouna-Oliva", disse a porta-voz na manhã desta quinta-feira.

O site da operação publicou vídeos filmados antes da saída do barco, nos quais as passageiras lançam apelos para sua libertação.

"Meu nome é Ann Wright, sou ex-coronel do exército americano e ex-diplomata. Se virem este vídeo é porque as forças israelenses me sequestraram", afirma uma delas.

- "Terrorismo de Estado" -Após a interceptação do barco, o movimento islamita Hamas classificou a operação da Marinha de Israel de "terrorismo de Estado".

O número dois da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, denunciou uma "agressão israelense" e pediu a libertação das passageiras.

Desde 2008 várias expedições civis tentaram, sem êxito, forçar o bloqueio do território da Faixa de Gaza. O caso mais grave foi o de uma flotilha atacada em 2010 em uma operação israelense, na qual morreram dez ativistas turcos que iam a bordo do "Mavi Marmara".

Os acordos de Oslo, assinados por israelenses e palestinos em 1993, autorizavam que os moradores de Gaza navegassem, principalmente para pescar, a até 20 milhas náuticas da costa. Mas esta distância diminuiu muito após várias guerras.

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