Testemunhas descrevem horror durante massacre de julho em Nice

Paris, 6 Out 2016 (AFP) - No último 14 de julho, depois da queima de fogos de artifício pelo Dia da Bastilha, o horror tomou conta de uma avenida de Nice, sul da França, onde um homem lançou seu caminhão contra a multidão. Oitenta e seis pessoas morreram.

Uma maré humana, tomada pelo pânico, começou a correr pelo Passeio dos Ingleses depois que Mohamed Lahouaiej Bouhlel jogou seu veículo contra o público reunido para ver o espetáculo, segundo depoimentos recolhidos pelos investigadores, aos quais a AFP teve acesso.

Havia cerca de 30.000 pessoas. A Eurocopa, durante a qual temia-se que pudesse acontecer atentados, acabara quatro dias antes.

Às 22h45 locais terminava o show dos fogos de artifício e as pessoas começavam a se dispersar. O Dia da Bastilha é uma grande festa nacional na França. A avenida ainda estava lotada quando surgiu o caminhão de 19 toneladas. Escutou-se um barulho.

"São bombas", pensaram algumas testemunhas. "Um tumulto", opinavam outros. Mas "uma maré humana chegou completamente assustada, gritando, chorando".

O caminhão apareceu a toda velocidade na esquina de um hospital infantil. "O vi arrancar. Eu estava de frente. Vi o motorista sorrir e acelerar", conta uma funcionária municipal que esperava o ônibus.

Os policiais que estavam no local para garantir a segurança durante as festas ouviram pelos seus rádios que um caminhão havia ultrapassado uma barreira de segurança.

Ele não parou durante dois quilômetros, esmagando tudo o que via pela frente, ziguezagueando e subindo nas calçadas para fazer o maior número de vítimas possível.

Muitos pedestres demoraram a vê-lo. Havia barulho, shows e muita gente. O caminhão seguia em grande velocidade. Sua "ação mortal" durou quatro minutos e 17 segundos, de acordo com os investigadores.

"Corpos desmembrados""Problema no freio?", "teve um mal-estar?", "foi um acidente?". Depois do susto inicial, as pessoas se deram conta de que o "caminhão avançou para matar".

Ressoavam ruídos insuportáveis: era o "ploc" do para-choque contra os pedestres, descreveu uma vítima. O motor fez um barulho, os corpos esmagados debaixo das rodas do caminhão impediam que avançasse. "Ele dava saltos de um metro, um metro e meio", contou um policial, horrorizado.

As vítimas pareciam "marionetes", havia "corpos desmembrados". Um homem viu seu pai ser jogado de sua cadeira de rodas "para o chão, contra a calçada".

Alguns fugiram, se refugiaram em hotéis, subiram nos telhados dos restaurantes da praia, se jogaram no mar e nadaram o mais longe possível. Outros ficaram paralisados. "Segurei a mão da minha filha e da minha sobrinha, fechei os olhos, estava imobilizada de medo, até que o caminhão passou por trás de mim", disse uma mulher.

A carnificina tinha que parar. Um homem de moto tentou se colocar no caminho. O veículo reduziu a velocidade, mas andava tropeçando, sem dúvida por causa dos corpos presos nas rodas. As forças de segurança começaram a atirar. Tarde demais, segundo algumas testemunhas, considerando que "não havia policiais" em comparação com os disponibilizados para a Eurocopa.

Toalhas de mesa para cobrir os corposLahouaiej Bouhlel respondeu aos disparos, mas sem deixar de andar. "Vi o homem atirar com sua mão direita passando por debaixo da esquerda, que segurava o volante", explicou uma oficial.

As testemunhas que o viram lembram que ele estava "sério", "concentrado".

Parou em frente ao Palácio do Mediterrâneo. Um homem subiu na porta pelo lado do motorista e tentou bater no vidro para pegar seu revólver. Pediu a uma agente que lhe dessa a arma "para matá-lo", mas ela se recusou e pediu que ele soltasse a porta. Ele caiu e ela abriu fogo.

O assassino parecia estar morto. Nenhum policial se atrevia a abrir a porta. Temiam que ele estivesse com alguma bomba. "Pensava que essa era a fase um, que o caminhão se abriria e sairiam homens armados de dentro ou que fosse explodir", declarou um turista.

Os serviços anti-bomba chegaram. Havia corpos e pessoas feridas agonizando ao longo de centenas de metros. Os pedestres improvisavam massagens cardíacas. O dono de um restaurante chegou com toalhas de messa para cobrir os cadáveres.

"Levantava as toalhas para procurar meu filho. O que vi era um horror. Não devia ter feito isso", afirmou um comerciante.

Estas lembranças atormentam as testemunhas. Nada será como antes. Para uma enfermeira de Nice "o Passeio se transformou em uma avenida coberta de corpos".

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