Furacão Matthew atinge a Flórida após deixar centenas de mortos no Haiti

Jacksonville, Estados Unidos, 7 Out 2016 (AFP) - Autoridades haitianas e ONGs deram um balanço dramático de ao menos 400 mortos no país após a passagem do furacão Matthew, que perdeu força nesta sexta-feira, mas continua ameaçando o litoral do sudeste dos Estados Unidos.

O senador Hervé Fourcan, do departamento Sul do Haiti, disse nesta sexta-feira à AFP que foram registrados 400 mortos neste país, o mais pobre das Américas, por onde Matthew passou no início desta semana com ventos de até 230 km/h.

Nos Estados Unidos, 600.000 casas ficaram sem energia elétrica, e duas pessoas morreram após não conseguirem ser assistidas a tempo devido aos fortes ventos, que impediram a chegada dos serviços de emergência.

As vítimas são uma mulher de 50 anos do condado de St. Lucie, no centro da Flórida, que morreu após sofrer uma parada cardíaca, e um homem de 82 anos que apresentou sintomas de derrame cerebral e dificuldade de respirar.

Às 15h GMT (12h de Brasília) de sexta-feira, o furacão estava cerca de 55 km ao nordeste de Daytona Beach, na Flórida, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês) dos Estados Unidos.

Matthew se debilitou um pouco na madrugada desta sexta-feira e foi rebaixado para a categoria três na escala Saffir-Simpson, de cinco níveis, mas continuava sendo "extremamente perigoso", alertou o NHC.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama disse que os centros populacionais do sul da Flórida tinham escapado do pior de Matthew, embora este continue sendo "um furacão muito perigoso" e que a elevação das águas perto das costas seja a principal preocupação.

"Acho que a maior preocupação neste momento não é apenas a força dos ventos do furacão, mas as marés de tempestades", disse Obama na Casa Branca, ressaltando a ameaça para a área que vai de Jacksonville, no norte da Flórida, até a Geórgia.

Matthew atingiu as instalações de lançamento de foguetes da NASA em Cabo Canaveral nesta sexta-feira, forçando cortes de energia e danificando os telhados, disse a agência espacial americana.

Às 09h45 locais (10h45 de Brasília), o pior da tempestade passou diante de Cabo Canaveral, que abriga o centro de lançamento de foguetes da Nasa e onde estão armazenados equipamentos cruciais para o programa espacial dos Estados Unidos e de empresas privadas como SpaceX.

"Neste momento se observam danos limitados no telhado das instalações do KSC (o Centro Espacial Kennedy), houve cortes nos serviços de água e eletricidade, e há destroços espalhados", anunciou o site da Nasa.

Haiti desoladoMatthew semeou desolação no Haiti no início da semana. Dada a magnitude dos danos causados, será difícil e levará tempo para conseguir um balanço preciso de vítimas.

O acesso a muitas zonas ainda é difícil, e os dados de vítimas ainda não foram centralizados pelas autoridades.

Em contraste com os 400 mortos anunciados pelo senador Fourcan, a agência de proteção civil para o Sul disse à AFP que registrou 315 mortos, mas que pelo menos quatro municípios - Camp Perrin, Les Anglais, Coteaux e Arniquet - ainda não apresentaram seus balanços locais.

O último balanço oficial parcial do Ministério do Interior reportava 271 mortos.

Toda a parte meridional do país foi arrasada por torrentes de água e golpeada por ventos violentos, às vezes durante várias horas.

As imagens aéreas dos jornalistas que tiveram acesso nos dois últimos dias às cidades mais golpeadas do sul mostravam imagens de casas destruídas, tetos de alumínio arrancados e dezenas de árvores caídas.

"Cerca de 80% dos edifício de Jérémie", cidade meridional de cerca de 30.000 habitantes, "foram destruídos", segundo a ONG CARE.

As imagens desoladoras da cidade, capital do departamento meridional de Grande Anse, lembravam as cenas deixadas pelo violento terremoto de 2010, no qual morreram mais de 200.000 pessoas.

"Fiquei cara a cara com a morte", disse Yolette Cazenor, habitante de Les Cayes (sul), a terceira maior cidade do país, o mais pobre das Américas. Sua casa partiu ao meio quando um tronco de árvore caiu em cima dela.

Os Estados Unidos enviaram nesta sexta-feira o navio de transporte militar "USS Mesa Verde" com 300 efetivos da Marinha para participar em operações de assistência no Haiti, indicaram responsáveis da Defesa americana.

Os oficiais se somarão aos 250 homens e aos nove helicópteros já mobilizados na ilha em um dispositivo de assistência militar dos Estados Unidos.

Princípio de precauçãoO poder destrutivo de Matthew fez com que as autoridades americanas aplicassem o princípio de precaução, e embora esteja previsto que o furacão se debilite nas próximas horas, as autoridades estão em alerta.

Assim, o condado de Volusia, na costa leste da Flórida, e a cidade de Daytona Beach decretaram um toque de recolher a partir das 00h locais da sexta-feira, segundo os bombeiros da cidade.

Em grandes cidades como Jacksonville (Flórida) e Savannah (Geórgia), foram emitidas ordens de evacuação para cerca de três milhões de pessoas, embora muitos não tenham cumprido o requerimento.

As autoridades de Jacksonville advertiram que os que se recusarem a abandonar as zonas que devem ser evacuadas o farão "por sua própria conta e risco".

o governador da Flórida, Rick Scott, disse que 22.000 pessoas pernoitaram em abrigos estatais, embora o sul do estado tenha finalmente se livrado dos piores efeitos do furacão, que se desviou ligeiramente para o norte e o leste.

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