Furacão Matthew golpeia a Flórida após deixar 400 mortos no Haiti

Miami, 7 Out 2016 (AFP) - O furacão Matthew, que deixou ao menos 400 mortos em sua paisagem desoladora no Haiti, provocava na manhã desta sexta-feira na costa leste da Flórida fortes ventos de até 195 km/h e chuvas torrenciais.

Segundo o senador do departamento Sul do Haiti, Hervé Fourcan, ao menos 400 pessoas morreram no país, embora o balanço de vítimas continue sendo provisório.

Por volta as 7h locais (8h de Brasília) desta sexta-feira, as estações balneárias e cidades residenciais da península do sudeste dos Estados Unidos continuavam mergulhadas na escuridão, com as ruas desertas, inundadas e cheias de galhos e resíduos.

Os habitantes que não evacuaram o litoral permaneciam encerrados em suas casas, golpeadas pelas rajadas de vento.

Matthew se debilitou um pouco na madrugada desta sexta-feira e foi rebaixado para uma tempestade de categoria três na escala Saffir-Simpson, de cinco níveis, mas continuava sendo "extremamente perigoso", alertou o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês) dos Estados Unidos.

Matthew atingiu as instalações de lançamento de foguetes da NASA em Cabo Canaveral nesta sexta-feira, forçando cortes de energia e danificando os telhados, disse a agência espacial americana.

Foguetes, espaçonaves e equipamentos cruciais para o programa espacial dos Estados Unidos e de empresas privadas como SpaceX são armazenados na área, que abriga o Centro Espacial Kennedy (KSC).

Às 09h45 locais (10h45 de Brasília), o pior da tempestade passou ao largo de Cabo Canaveral, disse a NASA disse em seu site.

Cerca de uma hora antes, por volta das 8h30 locais, Matthew, que avança lentamente em direção ao norte-noroeste, se encontrava a apenas 42 km de Cabo Canaveral.

"O olho de Matthew vai se deslocar perto ou por cima da costa oriental da Flórida até a noite de sexta-feira, e perto ou sobre a costa da Geórgia e da Carolina do Sul no sábado", indicou o NHC.

Na Flórida, Geórgia e Carolina do Sul há "risco de inundações mortíferas", advertiu o CNH. O presidente Obama declarou planos de emergência federal para os três estados, o que permite mobilizar mais recursos.

"Se estão na região de Jacksonville, poderia haver uma grande subida das águas. Ainda estão a tempo de evacuar", advertiu na manha de sexta-feira o governador da Flórida, Rick Scott.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama disse que os centros populacionais do sul da Flórida tinham escapado do pior do furacão Matthew, embora este continue sendo "um furacão muito perigoso" e que a elevação das águas perto das costas seja a principal preocupação.

"Acho que a maior preocupação neste momento não é apenas a força dos ventos do furacão, mas as marés de tempestades", disse Obama no Salão Oval da Casa Branca, ressaltando a ameaça para a área que vai de Jacksonville, no norte da Flórida, até a Geórgia.

"O mais importante é que não se perda nenhuma vida", disse Scott, acrescentando que 22.000 pessoas estavam refugiadas em abrigos.

No condado de St. Lucie, no centro da Flórida, uma mulher de 50 anos morreu após sofrer uma parada cardíaca e não conseguir ser assistida a tempo devido aos fortes ventos, que impediram a chegada dos serviços de emergência, disse uma porta-voz dos bombeiros à AFP.

- Haiti desolado -Matthew semeou desolação no Haiti no início da semana. Dada a magnitude dos danos causados, será difícil e levará tempo para conseguir um balanço preciso de vítimas.

O acesso a muitas zonas ainda é difícil, e os dados de vítimas ainda não foram centralizados pelas autoridades.

Em contraste com os 400 mortos anunciados pelo senador Fourcan, a agência de proteção civil para o Sul disse à AFP que registrou 315 mortos, mas que pelo menos quatro municípios - Camp Perrin, Les Anglais, Coteaux e Arniquet - ainda não apresentaram seus balanços locais.

O último balanço oficial parcial do Ministério do Interior reportava 122 mortos.

Toda a parte meridional do país foi arrasada por torrentes de água e golpeada por ventos violentos, às vezes durante várias horas.

As imagens aéreas dos jornalistas que tiveram acesso nos dois últimos dias às cidades mais golpeadas do sul mostravam imagens de casas destruídas, tetos de alumínio arrancados e dezenas de árvores caídas.

"Cerca de 80% dos edifício de Jérémie", cidade meridional de cerca de 30.000 habitantes, "foram destruídos", segundo a ONG CARE.

As imagens desoladoras da cidade, capital do departamento meridional de Grande Anse, lembravam as cenas deixadas pelo violento terremoto de 2010, no qual morreram mais de 200.000 pessoas.

"Fiquei cara a cara com a morte", disse Yolette Cazenor, habitante de Les Cayes (sul), a terceira maior cidade do país, o mais pobre das Américas. Sua casa partiu ao meio quando um tronco de árvore caiu em cima dela.

- Princípio de precaução -O poder destrutivo de Matthew fez com que as autoridades americanas aplicassem o princípio de precaução, e embora esteja previsto que o furacão se debilite nas próximas horas, as autoridades estão em alerta.

Assim, o condado de Volusia, na costa leste da Flórida, e a cidade de Daytona Beach decretaram um toque de recolher a partir das 00h locais da sexta-feira, segundo os bombeiros da cidade.

Mais de 1,5 milhão de pessoas foram chamadas a evacuar seus lugares de residência no estado, onde estão mobilizados 3.500 militares da Guarda Nacional, e outros 4.000 estão em alerta.

O aeroporto de Orlando fechou na quinta-feira à noite, segundo as autoridades, e desde quarta-feira mais de 4.000 voos foram cancelados em todo o país.

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