Divisão no Conselho de Segurança obstrui trégua na Síria

Nações Unidas, Estados Unidos, 8 Out 2016 (AFP) - Os membros do Conselho de Segurança da ONU voltaram a expor suas divergências neste sábado, depois que a Rússia vetou um projeto de resolução da França para cessar os bombardeios na cidade síria de Aleppo, e os ocidentais rejeitaram uma contraproposta de Moscou.

A Rússia, principal aliada do governo sírio, vetou um rascunho apresentado pela França, que pedia a suspensão imediata dos ataques aéreos à segunda cidade síria, onde 250.000 moradores estão expostos há duas semanas a uma ofensiva das tropas de Bashar al Assad.

O texto francês teve o apoio de 11 dos 15 membros do Conselho de Segurança, o veto de Venezuela e Rússia e a abstenção de China e Angola.

É a quinta vez que a Rússia utiliza seu direito de veto na ONU com relação ao conflito na Síria.

A proposta apresentada pela Rússia, que pedia simplesmente a suspensão das hostilidades, "entre outros lugares, em Aleppo", foi repudiada por 9 dos 15 membros do Conselho, e aprovada por Venezuela, Egito e China, enquanto Uruguai e Angola se abstiveram.

Os dois textos demonstram uma vez mais a fratura existente entre Moscou e os ocidentais sobre como solucionar o conflito.

O embaixador britânico na ONU, Matthew Rycroft, falou do "veto solitário" e do "veto cínico" de parte da Rússia, que há duas semanas apoia uma ofensiva de grande envergadura do regime sírio na zona rebelde de Aleppo.

A cidade é o principal foco do conflito, que arrasa há mais de cinco anos a Síria, que deixou mais de 300.000 mortos, provocando a pior tragédia humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.

Neste sábado, as tropas governamentais continuavam ganhando terreno dos rebeldes por três eixos.

Os combates prosseguem em AleppoA parte leste da cidade, onde estão os rebeldes, foi arrasada por bombardeios muito intensos, que provocaram centenas de mortos e destruíram as infraestruturas civis.

"A batalha se desenvolve no centro, especialmente no bairro de Bustan al Basha, onde o exército está avançando, no sul, em Sheij Said, e na periferia norte, onde o regime tomou o bairro de Uwayja", explicou à AFP o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

A ONG informou que desde o início da ofensiva de Damasco e Moscou, em 22 de setembro, morreram 290 pessoas, a maior parte civis, inclusive 57 menores de idade. Enquanto isso, nos bairros controlados pelo governo morreram 50 civis, inclusive nove crianças.

Durante o dia, os bombardeios se concentraram sobretudo nas zonas de combate, informou o correspondente da AFP no lado rebelde.

"Mais perigosa" que a Guerra FriaEm alusão à tensão cada vez mais palpável entre Estados Unidos e Rússia, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse em uma entrevista publicada neste sábado que o período atual é "mais perigoso" que a Guerra Fria.

"É uma ilusão pensar que se trata da antiga Guerra Fria. A época atual é diferente, mais perigosa", declarou o ministro alemão. "O risco de um confronto militar é considerável", acrescentou.

Na sexta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, denunciaram em Washington que o regime sírio cometeu "crimes de guerra" em Aleppo ao bombardear hospitais e escolas.

No antigo pulmão econômico da Síria, há 250.000 habitantes sitiados há quase dois meses.

Kerry denunciou "uma estratégia organizada para aterrorizar os civis e matar qualquer um que esteja no caminho de seus objetivos militares".

O regime sírio está confirmando "com uma brutalidade sem precedentes eu objetivo (...) que não tem nada a ver com a luta contra o terrorismo. O objetivo é a capitulação de Aleppo", disse Ayrault.

"Todos temos na memória Guernica, Srebrenica, Grozny. O que está ocorrendo em Aleppo é a repetição desta tragédia", acrescentou.

O embaixador russo, Vitali Churkin, defendeu seu texto e destacou que no conflito sírio é preciso "avançar de forma paralela e sem condições prévias".

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, tinha advertido que se os ataques contra Aleppo prosseguissem, a cidade será á "completamente destruída antes de janeiro".

De Mistura propôs que os combatentes da organização extremista Frente Fateh al-Cham (ex-Al Nusra, braço sírio da Al Qaeda) deixem os bairros do leste de Aleppo e que o governo sírio e seu aliado russo suspendam os bombardeios.

Moscou se disse disposta a "apoiar" a iniciativa se os extremistas deixarem efetivamente a cidade.

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