Furacão Matthew atinge costa leste dos EUA

Jacksonville, Estados Unidos, 8 Out 2016 (AFP) - Matthew, que se degradou a furacão de categoria 1, prosseguia neste sábado seu perigoso trajeto pela costa leste dos Estados Unidos, onde já deixou cinco mortos e ameaçava provocar graves inundações.

"Um em cada quatro mortos em furacões tropicais nos Estados Unidos está vinculado ao aumento no nível dos rios devido às fortes chuvas", advertiu o diretor do Centro Nacional de Furacões (NHC), Rick Knabb, no Twitter.

Por volta das 18h GMT (15h de Brasília), Matthew registrava ventos de 120 km/h, segundo o último boletim do NHC, o qual também se alertava para "chuvas torrenciais que se propagam" através da Carolina do Sul e do Norte, assim como "sérias inundações" terra adentro.

O olho do furacão estava sobre o balneário de Myrtle, na Carolina do Sul, tocando terra nos Estados Unidos pela primeira vez desde que começou a se deslocar pela costa leste do país na madrugada de quinta para sexta-feira, então como de categoria 4 na escala Saffir-Simpson, que chega a 5.

Espera-se que Matthew chegue à Carolina do Norte à noite, antes de voltar para o mar.

As autoridades da Carolina do Sul ordenaram a evacuação de 300.000 a 500.000 pessoas de áreas de risco para refúgios em áreas mais no interior, embora isto "não seja suficiente", segundo a governadora Nikki Haley.

O presidente americano, Barack Obama, declarou estado de emergência em Flórida, Geórgia e Carolina do Norte e do Sul.

Ao passar pela Flórida, o furacão deixou mais de um milhão de pessoas sem eletricidade, embora seu impacto neste estado tenha sido menos violento do que se esperava, pois o olho do furacão não tocou o continente.

MortosAs chuvas torrenciais e as rajadas de vento provocaram a queda de árvores e fizeram os edifícios altos tremer.

Em sua passagem pela Flórida, Matthew deixou cinco mortos.

Uma mulher morreu ao ser atingida pela queda de uma árvore no condado de Volusia, e no condado de Putnam outra mulher morreu em circunstâncias similares quando uma árvore caiu sobre o veículo no qual havia se refugiado da tempestade.

Outra mulher faleceu por um ataque cardíaco e um casal morreu intoxicado por monóxido de carbono liberado por um gerador em sua garagem.

Em St. Augustine - uma ex-colônia espanhola considerada a cidade mais antiga do país - a situação era catastrófica, segundo informações, e as autoridades fecharam seu acesso tanto à população quanto à imprensa.

A prefeita Nancy Shaver disse que cerca da metade de sua população se negou a deixar as casas.

As ordens de evacuação alcançaram cerca de 3 milhões de moradores no caminho de Matthew, com cidades como Jacksonville e Savannah, na Geórgia.

Estas duas cidades e Charleston impuseram toque de recolher para manter as pessoas fora das ruas e evitar saques.

"Rezem", pediu o legislador republicano Buddy Carter, cujo distrito inclui a costa da Geórgia, em uma coletiva de imprensa.

"Rezem para que esta tempestade permaneça dentro d'água e não chegue para ferir ninguém", afirmou.

Haiti desoladoNo começo da semana, Matthew semeou desolação no Haiti, onde passou com força de furacão com ventos de 230 km/h, deixando 336 mortos, segundo um balanço provisório da Defesa Civil, divulgado neste sábado, embora o senador haitiano Hervé Fourcard sustente que há pelo menos 400 mortos.

Diante da magnitude dos danos causados, será difícil realizar um balanço preciso das vítimas fatais.

"Os primeiros dados do (departamento) Grande Anse começaram a chegar até nós", declarou à AFP a diretora da Defesa Civil, Marie-Alta Jean-Baptiste, referindo-se à região mais atingida pelo furacão.

Diante da dimensão de perdas humanas e materiais, o presidente provisório Jocelerme Privert decretou no sábado três dias de luto nacional, pouco antes de embarcar para a cidade de Jérémie, capital de Grande Anse.

Toda a parte sul do Haiti foi arrasada por chuva forte e atingida por ventos violentos. As imagens aéreas feitas por jornalistas que puderam chegar nos últimos dois dias às cidades mais atingidas do sul mostravam casas destruídas, telhados de alumínio arrancados e árvores caídas.

As desoladoras imagens da cidade de Los Cayos lembravam as cenas deixadas pelo violento terremoto de 2010, no qual mais de 200.000 pessoas morreram.

"Vi a morte cara a cara", disse Yolette Cazenor, uma moradora de Los Cayos (sul), a terceira cidade do país. Sua casa se dividiu ao meio quando uma árvore caiu sobre ela.

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