Islamitas vencem eleições legislativas no Marrocos

Rabat, 8 Out 2016 (AFP) - Os islamitas do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD) do primeiro-ministro Abdelilah Benkirane, no governo há cinco anos, venceram as eleições legislativas no Marrocos, conseguindo, assim, um segundo mandato para "continuar a reforma".

O PJD obteve 125 deputados, contra os 102 de seu principal rival, o Partido Autenticidade e Modernidade (PAM, liberais), de um total de 395 assentos, anunciou neste sábado o ministério do Interior, um dia após as eleições.

O Istiqlal, o partido histórico de luta para a independência, e o Reagrupamento Nacional de Independentes (RNI), chegam na terceira e na quarta posição com 45 e 37 deputados, respectivamente.

Outros oito partidos dividem os demais assentos, entre eles a Federação da Esquerda Democrática (FGD), que obteve dois deputados.

O PJD cumpriu, assim, sua promessa de obter um segundo mandato para "continuar a reforma", como anunciou ao longo de sua eficaz campanha.

Na noite de sexta-feira, Abdelilah Benkirane, também secretário-geral do PJD, saudou "um dia de felicidade e de alegria para os marroquinos".

- 'Arraigar a democracia' -Horas antes, o PJD havia denunciado abusos e tentativas de fraude segundo as quais funcionários do ministério do Interior teriam tentado favorecer o opositor PAM.

O ministro do Interior, Mohammed Hassad, rejeitou as críticas "por parte de um partido que segue duvidando da vontade constante de todos os componentes da nação, começando por sua majestade, o rei (Mohamed VI), de arraigar a democracia como escolha estratégica e irreversível".

Hassad também criticou o anúncio "prematuro" do PJD dos primeiros resultados, no início da noite.

Um grupo de observadores do Conselho da Europa que supervisionaram as eleições informou, por sua vez, neste sábado que as eleições foram organizadas "de forma íntegra e transparente" e que nenhuma fraude foi constatada.

Trata-se do último episódio de uma polêmica na qual o PJD acusa o ministério do Interior de ser parcial e de agir a favor do PAM, um partido criado em 2008 por um conselheiro próximo ao rei.

O PJD conseguiu uma vitória histórica em novembro de 2011, vários meses depois que o rei Mohamed VI realizou uma revisão constitucional para apaziguar "o movimento de 20 de fevereiro", que surgiu após a Primavera Árabe.

O PJD é a única formação islamita que está no poder em um país desta região.

Nacionalmente, reforça sua posição dominante, num país onde o rei, chefe de Estado e "comandante dos fiéis" é o único que decide sobre as questões estratégicas (internacionais, econômicas e de segurança), segundo os analistas.

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