ONU discute dois planos de trégua na Síria; combates em Aleppo prosseguem

Alepo, Síria, 8 Out 2016 (AFP) - Os combates entre o regime sírio e os rebeldes se intensificavam no coração de Aleppo neste sábado, enquanto se espera que o Conselho de Segurança da ONU discuta duas propostas de trégua para a Síria muito diferentes entre si.

Uma das propostas, apresentada pela França, pede o fim dos bombardeios em Aleppo, segunda maior cidade da Síria, enquanto a outra, defendida pela Rússia, pede simplesmente o cessar-fogo.

Duas semanas depois do lançamento de uma ofensiva de grande envergadura sobre Aleppo do exército sírio, com o apoio de Moscou, as tropas de Damasco seguiam avançando palmo a palmo, ganhando terreno dos rebeldes por três eixos.

Aleppo é o principal foco do conflito que arrasa há mais de cinco anos a Síria, que deixou mais de 300.000 mortos, provocando a pior tragédia humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.

A parte oriental da cidade, onde os rebeldes estão mobilizados, foi arrasada por bombardeios muito intensos, que deixaram centenas de mortos e destruíram as infraestruturas civis.

"A batalha se desenrolava no centro, especialmente no bairro de Bustan al-Basha, onde o exército está avançando, no sul, em Sheikh Said, e na periferia norte, onde o regime tomou o bairro de Uwayja", explicou à AFP o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

A ONG informou que desde o início da ofensiva de Damasco e Moscou, em 22 de setembro, 290 pessoas morreram, a maior parte delas civis, incluindo 57 menores de idade. Enquanto isso, nos bairros controlados pelo governo 50 civis morreram, entre eles nove crianças.

Durante o dia, os bombardeios se concentraram sobretudo nas zonas de combates, informou o correspondente da AFP na parte rebelde.

- Mais perigoso que a Guerra Fria -Em alusão à tensão cada vez mais palpável entre Estados Unidos e Rússia, o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse em uma entrevista publicada neste sábado que o período atual é "mais perigoso" que a Guerra Fria.

"É uma ilusão pensar que se trata da antiga Guerra Fria. A época atual é diferente, mais perigosa", declarou o ministro alemão. "O risco de um confronto militar é considerável", acrescentou.

Na sexta-feira, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, denunciaram em Washington que o regime sírio cometeu "crimes de guerra" em Aleppo ao bombardear hospitais e escolas.

No antigo pulmão econômico da Síria, há 250.000 habitantes sitiados há quase dois meses.

Kerry denunciou "uma estratégia organizada para aterrorizar os civis e matar qualquer um que esteja no caminho de seus objetivos militares".

Após a reunião com Kerry, Ayrault anunciou que irá à sede da ONU para defender um projeto de resolução apresentado pela França para estabelecer um cessar-fogo em Aleppo e proibir o voo de aviões de guerra sobre a cidade.

Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança votará um projeto de resolução proposto pela Rússia convocando simplesmente o cessar-fogo em Aleppo, mas que não menciona os bombardeios.

Os 15 membros do Conselho decidirão sobre a proposta da Rússia imediatamente depois de votarem a da França.

O texto da Rússia, obtido pela AFP na sexta-feira, pede "a instauração imediata de um fim das hostilidades, especialmente em Aleppo", e solicita a todas as partes que permitam o acesso da ajuda humanitária.

O embaixador britânico na ONU, Matthew Rycroft, rejeitou o texto, estimando que se trata de uma manobra russa destinada cinicamente a "desviar a atenção da necessidade de deter os bombardeios sobre Aleppo".

Por sua vez, a Rússia ameaçou usar seu direito de veto para bloquear a proposta francesa.

"Não vejo de que maneira poderíamos deixar que esta resolução seja aprovada", disse à imprensa o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin.

O ministro francês advertiu que a votação deste sábado será "a hora da verdade para todos os membros do Conselho de Segurança (...) em especial para nossos sócios russos", pedindo "uma rebelião da consciência humana".

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