Trump na defensiva antes do segundo debate com Hillary

Washington, 8 Out 2016 (AFP) - Imerso na pior crise de sua campanha presidencial após a divulgação de um vídeo de 2005 em que menospreza as mulheres, o republicano Donald Trump está na defensiva antes do segundo debate com sua rival democrata, Hillary Clinton.

Trump se desculpou nas primeiras horas deste sábado, depois que o jornal The Washington Post divulgou o vídeo, que caiu como uma bomba na campanha, gerando rejeição nas fileiras republicanas e dando a Hillary Clinton munição fresca para o debate de domingo em St. Louis.

John McCain, figura proeminente do Partido Republicano, indicado pelo partido às eleições presidenciais de 2008, vencidas por Barack Obama, retirou formalmente seu apoio a Trump neste sábado.

"Eu quis apoiar o candidato que o nosso partido indicou. Não foi minha escolha, mas como um indicado no passado, pensei que era importante respeitar o fato de que Donald Trump obteve a maioria dos delegados, pelas regras estabelecidas pelo nosso partido. Eu pensei que devia esta deferência a seus apoiadores", declarou McCain, ao ler um comunicado.

"Mas o comportamento de Donald Trump esta semana, concluindo com a revelação destes comentários degradantes sobre as mulheres e a ostentação de ataques sexuais tornam impossível continuar até mesmo a dar um apoio condicional à sua candidatura", prosseguiu.

"Cindy e eu não votaremos em Donald Trump", acrescentou, falando de sua esposa.

McCain somou-se, assim, ao crescente número de republicanos que têm retirado seu apoio a Trump após a divulgação do vídeo.

Mais cedo, o congressista Jaseon Chaffetz, de Utah, anunciou à emissora Fox que não apoiaria mais o candidato de seu partido.

"Não posso continuar apoiando conscientemente essa pessoa para a presidência", disse Chaffetz.

"Estou doente pelo que ouvi hoje", expressou em um comunicado o chefe da bancada republicana no Congresso, Paul Ryan.

"As mulheres devem ser defendidas e reverenciadas, e não tratadas como objetos. Espero que Trump encare esta situação com a seriedade que ela merece e trabalhe para demonstrar ao país que ele tem o maior respeito pelas mulheres", acrescentou.

Houve vários republicanos que inclusive pediram que Trump abandonasse a corrida presidencial, como os congressistas Barbara Comstock e Mike Coffman, e o ex-governador de Utah Jon Huntsman.

O senador por Utah Mike Lee fez o mesmo: "Respeitosamente lhe peço, com todo o respeito, que se afaste".

Já o senador de Illinois Mark Kirk disse no Twitter que Trump deve "abandonar" a disputa eleitoral e que o Partido Republicano precisa "empregar regras para uma substituição de emergência".

Mas neste sábado, Trump veio a público dizer que há "zero chance" de ele abandonar a corrida pela Casa Branca.

"Zero chance de que eu abandone", afirmou ao jornal The Wall Street Journal. "Nunca, jamais, me dou por vencido", disse.

Mike Pence, companheiro de chapa de Donald Trump, disse neste sábado estar ofendido com as declarações do candidato.

"Não concordo com estas declarações e não posso defendê-las", disse Pence em um comunicado, acrescentando que Trump terá a oportunidade de "mostrar o que está em seu coração" no domingo durante o segundo debate presidencial contra a democrata Hillary Clinton.

O vídeoEm 2005, Trump era um simples executivo e astro da televisão que acabava de se casar com sua terceira esposa, Melania Knauss.

No vídeo, o magnata conta ao apresentador de televisão sua primeira tentativa frustrada de seduzir uma mulher, cujo nome não foi divulgado.

"Eu parti para cima dela e falhei. Admito para você", contou Trump. "Uau", diz uma outra voz. "Eu parti para cima dela como uma cachorra, mas não consegui comer. E ela era casada", continua.

A conversa continua até que os dois homens veem uma atriz que os espera do lado de fora do veículo, Arianne Zucker.

"Tenho que usar um Tic Tac, no caso de eu começar a beijá-la", afirma Trump. "Você sabe, eu sou automaticamente atraído pelas mulheres bonitas - eu simplesmente começo a beijá-las", completa.

As desculpas"Eu disse, errei, e peço perdão", disse Trump em sua mensagem televisionada.

"Qualquer um que me conheça sabe que essas palavras não refletem que eu sou. Eu disse, errei e me desculpo", insistiu.

"Isso foi uma brincadeira de vestiário, uma conversa privada que aconteceu muitos anos atrás", justificou-se.

"Nunca disse que eu era uma pessoa perfeita, nem pretendo ser outra pessoa que não eu mesmo", destacou o candidato republicano à presidência.

"Comprometo-me a ser um homem melhor amanhã, e não decepcioná-los jamais", disse Trump, que classificou este escândalo como uma "distração" eleitoral.

A esposa de Donald Trump classificou, neste sábado, os comentários do marido de "inaceitáveis e ofensivos", mas pediu que suas desculpas sejam aceitas.

"As palavras usadas por meu marido são inaceitáveis e ofensivas para mim. Elas não representam o homem que eu conheço", afirmou Melania Trump em comunicado.

AtaquesMas, imediatamente, o magnata lançou um ataque indireto à sua adversária democrata, Hillary Clinton, acusando seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, de maltratar as mulheres.

"Eu disse coisas idiotas, mas existe uma grande diferença entre as palavras e os atos de outras pessoas. Bill Clinton realmente maltratou as mulheres, e Hillary perseguiu, atacou, humilhou e intimidou suas vítimas", disse.

"Falaremos disso nos próximos dias", advertiu Trump.

A publicação do vídeo chega oportunamente para a campanha democrata, que contratou um especialista para divulgar uma compilação de declarações antigas e recentes de Trump falando sobre as mulheres.

"Isso é terrível. Não podemos permitir que esse homem seja presidente", declarou Hillary Clinton em sua conta no Twitter.

A quatro semanas das eleições e a menos 48 horas do segundo debate presidencial, Trump precisa ampliar sua popularidade entre os eleitores moderados, as minorias e as mulheres.

Nos últimos dias, o magnata tem sido alvo de duras críticas por ter maltratado a ex-Miss Universo venezuelana Alicia Machado, ao chamá-la de "gorda" anos atrás, assunto que Hillary ventilou no primeiro debate presidencial.

Os insultos contra a comediante Rosie O'Donnell, com comentários sobre seu cabelo, e dirigidas a colaboradoras da organização Trump e do programa "O Aprendiz" que denunciaram abordagens inapropriadas, se somam à lista de comportamentos criticados do candidato.

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