Bombardeios e combates atingem Aleppo após novo fracasso na ONU

Beirute, 9 Out 2016 (AFP) - Os bombardeios prosseguiram durante toda a noite e neste domingo o regime sírio e os rebeldes se enfrentavam violentamente em Aleppo, após um novo fracasso da diplomacia depois que a Rússia bloqueou uma resolução de trégua impulsionada pela França no Conselho de Segurança da ONU.

Mais de duas semanas depois do início de uma ofensiva de grande envergadura, o exército sírio, apoiado pelos bombardeios da aviação russa, seguia avançando na zona leste de Aleppo, que desde 2012 está nas mãos dos rebeldes.

"Durante toda a noite ocorreram confrontos terrestres, acompanhados de violentos bombardeios, e eles prosseguiam neste domingo, sobretudo no bairro de Sheikh Said", no sul, indicou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O correspondente da AFP na zona oriental da cidade também informou que durante a noite o ruído dos combates e os bombardeios foi contínuo e que eles prosseguiam neste domingo.

Aleppo se converteu no principal front do conflito sírio, que deixou mais de 300.000 mortos em cinco anos.

Um total de 250.000 pessoas, incluindo 100.000 crianças, vivem nos bairros controlados pelos insurgentes e sofrem, segundo a ONU, "a catástrofe humanitária mais grave já vista na Síria".

OS bombardeios permitiram que o regime avançasse e tomasse o controle de Jandul, um cruzamento chave, indicaram o OSDH e o jornal Al Watan, um meio de comunicação próximo ao regime de Bashar al-Assad.

O jornal indicou que este avanço permite ao exército se posicionar a partir de agora "a poucos metros de vários bairros" rebeldes no nordeste e que agora os setores de Hellok, Inzarat e Ain al Tall são vulneráveis à artilharia do regime.

A ONG informou que desde o início da ofensiva, em 22 de setembro, morreram na parte rebelde de Aleppo 290 pessoas, a maior parte delas civis, incluindo 57 menores de idade.

Enquanto isso, nos bairros controlados pelo governo 50 civis morreram, incluindo nove crianças.

Neste domingo, "uma criança morreu e duas pessoas ficaram feridas por foguetes lançados por terroristas no bairro de Hamdaniyé", na parte controlada pelo governo, indicou a agência oficial Sana, um termo utilizado por Damasco para classificar os combatentes rebeldes.

- 'Guernica, Srebrenica, Aleppo' -Todas as iniciativas diplomáticas para tentar alcançar uma trégua na cidade fracassaram. A localidade, segunda cidade do país e antigo pulmão econômico de sua economia, sofre a pior catástrofe humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.

No sábado na ONU, a Rússia cumpriu com sua palavra, e como havia anunciado bloqueou uma resolução da França para colocar fim imediatamente aos bombardeios. O texto francês recebeu o apoio de 11 dos 15 membros do Conselho de Segurança, a rejeição da Venezuela e da Rússia e a abstenção de China e Angola.

Esta é a quinta vez que a Rússia utiliza seu direito de veto na ONU em relação ao conflito na Síria.

Moscou apresentou um texto alternativo, que pedia simplesmente o fim das hostilidades, "entre outros lugares em Aleppo", que foi rejeitado por 9 dos 15 integrantes do Conselho, e aprovado por Venezuela, Egito e China, enquanto Uruguai e Angola se abstiveram.

Os dois textos demonstram mais uma vez a fratura existente entre Moscou e os ocidentais a respeito da melhor maneira de solucionar o conflito.

O presidente francês, François Hollande, havia declarado antes das votações que um país que se opusesse à resolução francesa "ficaria desacreditado aos olhos do mundo".

O regime sírio está confirmando "com uma brutalidade sem precedentes seu objetivo, (...) que não tem nenhuma relação com a luta contra o terrorismo. O objetivo é a capitulação de Aleppo", declarou a partir de Nova York o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Marc Ayrault.

"Todos temos na memória Guernica, Srebrenica, Grozny. O que está ocorrendo em Aleppo é a repetição desta tragédia", acrescentou.

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