Trump e Hillary trocam ataques sobre escândalos sexuais em segundo debate

Saint Louis, Estados Unidos, 10 Out 2016 (AFP) - Donald Trump e Hillary Clinton trocaram acusações em um tenso debate presidencial neste domingo, ofuscado por um novo escândalo envolvendo o candidato republicano após a divulgação de declarações degradantes sobre mulheres e acusações contra Bill Clinton.

Em uma discussão transmitida ao vivo pelas grandes emissoras de televisão americanas, o milionário e a ex-secretária de Estado voltaram a ficar cara a cara na universidade Washington em Saint Louis, Missouri. Com a tensão no nível máximo, os dois adversários evitaram trocar um aperto de mãos ao entrar no recinto do debate.

Trump repetiu a afirmação de que suas declarações - gravadas em um vídeo de 2005, difundido na sexta-feira - sobre agarrar as mulheres pelos genitais e beijá-las à força foram "conversa de vestiário".

Embora tenha pedido desculpas, o magnata disse que aquelas foram apenas palavras, denunciando que o ex-presidente "Bill Clinton foi abusivo com as mulheres".

A democrata contra-atacou: "Este é Donald Trump", acrescentando que o candidato conservador "não está capacitado" para ser presidente.

Trump chegou para o segundo debate presidencial com sua campanha abalada desde a sexta-feira por causa do vídeo gravado em 2005 no qual o ex-astro da televisão se vangloria, usando palavras e expressões de extrema vulgaridade, de se aproveitar de sua condição de celebridade para abusar fisicamente das mulheres.

"Quando você é uma estrela, elas deixam você fazer. A gente pode fazer o que quiser", diz Trump na conversa.

Com a corda no pescoço, o candidato republicano lançou um surpreendente contra-ataque momentos antes do debate, ao convocar uma coletiva de imprensa com quatro mulheres, três das quais acusam o ex-presidente Bill Clinton, ex-presidente e marido de Hillary entre as décadas de 1970 e 1990, e a candidata democrata de ajudar seu marido a denegri-las.

Para jogar mais lenha na fogueira, as quatro mulheres e Bill Clinton estavam na plateia do debate.

Faltando apenas quatro semanas para as eleições, os dois candidatos responderam a perguntas de dois moderadores e de um painel formado por eleitores indecisos.

Hillary "presa"Trump trouxe de volta a polêmica sobre o uso que a adversária fez de um servidor privado de e-mails quando foi secretária de Estado, ameaçando levá-la perante a justiça se for eleito presidente.

"Se vencer, darei instruções ao procurador-geral de justiça para que nomeie um procurador especial para que investigue a sua situação porque nunca houve tanta mentira e tanta coisa oculta", disse Trump.

"É muito bom que alguém com o temperamento de Donald Trump não esteja a cargo da lei neste país", respondeu Hillary, ao que Trump retrucou: "porque você estaria na prisão".

O último escândalo envolvendo Trump, que iniciou sua campanha chamando de "estupradores" os imigrantes ilegais e provocou críticas por ter chamado de "porquinha" uma ex-Miss Universo venezuelana, caiu como uma bomba para a campanha do milionário.

Neste domingo, em meio a uma onda generalizada de indignação, o próprio presidente Barack Obama condenou as declarações de Trump no vídeo, as quais considerou "degradantes".

"Não preciso repetir. Tem crianças na sala... Denegrir as mulheres, degradá-las, mas também as minorias, os imigrantes, as pessoas de outras crenças, zombar dos deficientes... (Trump) Rebaixa os demais para se atribuir importância", disse Obama em um ato público no estado do Illinois.

Desde a divulgação da gravação, Trump difundiu um vídeo pedindo desculpas, mas o estrago já estava feito.

Figuras proeminentes do partido Republicano se somaram ao clamor geral para que Trump jogue a toalha e desista da campanha em benefício do seu companheiro de chapa, Mike Pence.

Mas o magnata disse que há "zero chance" de que isto ocorra. "Nunca, jamais me dou por vencido", afirmou.

Aliados buscam uma saídaO próprio Pence disse se sentir "ofendido" com as palavras de Trump, e que para ele era impossível defendê-lo, embora tenha saudado o pedido de desculpas feito pelo colega de chapa.

Entre os republicanos que retiraram seu apoio a Trump destacam-se o senador John McCain e Mitt Romney, ex-candidatos presidenciais em 2008 e 2012 respectivamente, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice e o ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger.

Este contexto tornou o debate deste domingo potencialmente decisivo em uma campanha que no último mês mostrou Hillary e Trump praticamente empatados, com uma vantagem apenas marginal - inferior à margem de erro de cada pesquisa - para a ex-secretária de Estado.

Esta vantagem parece ter se consolidado e ampliado após o desempenho medíocre de Trump no primeiro debate, realizado há duas semanas perto de Nova York.

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