ELN liberta civil na Colômbia, à espera de anúncio de diálogo de paz

Bogotá, 10 Out 2016 (AFP) - O ELN entregou nesta segunda-feira um civil que estava em seu poder a uma comissão do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na Colômbia, em um momento em que se aguarda um anúncio sobre o diálogo de paz entre a guerrilha e o governo colombiano.

"Um civil que estava em poder do Exército de Libertação Nacional (ELN) foi entregue hoje ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na zona rural de Fortful", no departamento (estado) de Arauca, fronteiriço com a Venezuela, indicou o organismo internacional em um comunicado, no qual não deu a identidade do refém.

"Sinto prazer em informar que a pessoa libertada se encontra neste momento a caminho de se reunir com seus entes queridos", disse Christoph Harnisch, chefe da delegação do CICV na Colômbia, citado no comunicado.

Participaram também da operação para a libertação do civil representantes da Defensoria Pública e da Igreja Católica, acrescentou o texto.

Identificado como Nelson Alarcón, sequestrado há três meses, segundo fontes da Igreja Católica, ele é o terceiro civil libertado pelo ELN, a segunda guerrilha da Colômbia, nas últimas duas semanas.

Após a libertação de Alarcón, a delegação de paz do ELN escreveu em sua conta no Twitter: "em questão de horas divulgaremos um IMPORTANTE anúncio para a Colômbia e o mundo".

Mais cedo, a Presidência havia informado que "as delegações do governo da Colômbia e do Exército de Libertação Nacional (ELN) farão um anúncio na Casa Amarela da cidade de Caracas", sede da chancelaria da Venezuela.

A chancelaria da Venezuela convocou a imprensa para a noite desta segunda-feira para um "importante anúncio sobre o processo de paz na Colômbia".

Fontes próximas das duas partes da negociação disseram à AFP que a informação será "em relação a um avanço nos diálogos de paz com o ELN" e asseguraram que "em pouco tempo não haverá mais civis nas mãos da guerrilha".

Embora se desconheça o número exato de reféns em poder deste grupo, que pegou em armas em 1964 por influência da revolução cubana, fontes oficiais estimam que pelo menos uma pessoa permaneça retida: o ex-congressista Odín Sánchez, que se entregou em abril à guerrilha em troca da libertação de seu irmão doente.

O ELN e o governo de Juan Manuel Santos anunciaram em 30 de março um acordo para lançar a etapa pública de conversas iniciadas em sigilo em janeiro 2014. No entanto, os diálogos formais não foram instalados porque para isto o presidente exigiu à guerrilha que abandone primeiro a prática do sequestro.

Acordo humanitárioNeste fim de semana, o arcebispo da cidade colombiana de Cali, monsenhor Darío Monsalve, próximo às negociações com o ELN, disse à imprensa local que o processo com a guerrilha contemplará um pré-acordo humanitário, que "vai ser o alimento inicial" da mesa pública de negociações.

Neste mesmo sentido, outra fonte ligada aos diálogos disse à AFP que no anúncio de Caracas será informado um "acordo humanitário" para continuar com a libertação de sequestrados e alguns presos.

Dando por certo que esta noite será anunciada a instalação de um diálogo formal de paz, o líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas), Rodrigo Londoño (Timochenko) desejou sucesso ao ELN.

"#DelegaciónELNPaz conta com o nosso apoio militante e solidário. Muito sucesso neste processo que iniciam hoje", escreveu Londoño no Twitter.

O anúncio entre o ELN e o governo se daria uma semana depois de os colombianos rejeitarem no plebiscito de 2 de outubro o acordo de paz pactuado pelo governo e as Farc, a principal e mais antiga guerrilha do país, após quase quatro anos de negociações em Cuba.

Segundo informaram as partes, a mesa de negociações com o ELN seria instalada em Quito.

No sábado, o chanceler equatoriano, Guillaume Long, disse que seu país confiava em que "em breve" teria "notícias muito importantes, positivas, sobre a organização da primeira mesa de diálogo com o ELN em Quito".

A Colômbia vive um conflito armado que confrontou durante mais de meio século guerrilhas, paramilitares e agentes da força pública, com balanço de 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

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