Ex-preso de Guantánamo refugiado no Uruguai tem saúde crítica por greve de fome

Montevidéu, 10 Out 2016 (AFP) - O ex-preso do centro de detenção de Guantánamo Jihad Diyab, refugiado no Uruguai desde 2014, se encontra em estado grave devido à greve de fome radical com a que pede ao governo que facilite sua saída do país, indicaram nesta segunda-feira ativistas e uma funcionária oficial.

É "uma situação que deixa humanitariamente preocupadíssimos" e Diyab deve ingerir líquidos porque sua vida "corre sério risco", disse a diretora da governamental Instituição Nacional de Direitos Humanos e Defensoria do Povo do Uruguai (INDDHH), Mirtha Guianze, ao estatal Canal Cinco.

Guianze afirmou que Diyab se encontra em "estado muito crítico" por não querer suspender a greve de fome, reivindicando que o governo abra a via legal para que possa se reunir a familiares em outro país e que "o que está impedindo agora é que o Estado uruguaio diga que pode sair, que não tem impedimento".

Jihad Diyab pede quatro cartas assinadas pelo chanceler Rodolfo Nin Novoa dirigidas a embaixadas de Líbano, Qatar, Turquia e Venezuela, expressando conformidade para que deixe o país e declarando a sua situação legal. Além disso, pediu uma cópia do acordo assinado com os Estados Unidos que facilitou sua chegada ao Uruguai.

"As cartas do governo não chegaram e Jihad está grave", informou a página no Facebook Vigília por Jihad Diyab, grupo de ativistas próximos ao refugiado, que convocou uma reunião de urgência.

Guianze ratificou que Diyab ainda não teve resposta e que se pede que qualquer autoridade nacional ou internacional "colabore para que haja uma aproximação das partes e que possa ter esperança para cessar esta greve de fome".

A INDDHH já tinha realizado dias atrás um "chamado comprometido" ao governo e instituições internacionais a intensificar os esforços para que Diyab possa viajar "para um destino que lhe permita viver em paz com a sua família".

Entre outras razões apresentadas pelo sírio para abandonar o país estão diferenças culturais, incapacidade para se manter junto à sua numerosa família e limitações físicas.

Diyab chegou ao Uruguai no fim de 2014 com um grupo de seis ex-detidos de Guantánamo liberados após um acordo com os Estados Unidos.

Suas reivindicações o levaram a se apresentar ao consulado uruguaio em Caracas em 26 de julho para pedir uma solução, mas Diyab acabou sendo detido pela polícia venezuelana. Ele foi mandado de volta ao Uruguai em 30 de gosto, já em meio à sua greve de fome.

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