Mudanças no clima dobraram área queimada em incêndios florestais nos EUA (estudo)

Miami, 10 Out 2016 (AFP) - As mudanças climáticas estão deixando o planeta mais quente e seco, quase dobrando a área queimada por incêndios florestais no oeste dos Estados Unidos nas últimas três décadas, sustenta um estudo difundido nesta segunda-feira.

Pesquisadores revelaram que desde 1984, condições mais secas e temperaturas mais elevadas fizeram com que os incêndios consumissem 41.500 quilômetros quadrados a mais, uma área correspondente a 30 vezes o tamanho da cidade de Los Angeles.

Isto "dobrou aproximadamente a área de incêndios florestais previsíveis no oeste dos Estados Unidos devido à simples variabilidade natural do clima durante 1984-2015", estimou o estudo publicado na última edição das Atas da Academia Nacional de Ciências.

Os autores do estudo advertiram, ainda, que mais incêndios florestais podem ser esperados para os próximos anos. "Não importa quanto nos esforcemos, os incêndios vão continuar e serão cada vez maiores e a razão é muito clara", disse um deles, Park Williams, do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia.

Os incêndios florestais têm aumentado desde a década de 1980.

Este ano, cerca de 1,2 milhão de hectares de florestas se incendiaram no oeste dos Estados Unidos. Embora ainda não seja um ano recorde, condições mais perigosas podem ocorrer nos próximos dois meses.

No ano passado, 4,08 milhões de hectares foram queimados nos Estados Unidos, uma cifra recorde desde que a Interagência Nacional de Luta contra Incêndios (NIFC) começou a documentar a área de incêndios florestais em 1983, segundo o estudo.

"Muitas pessoas vinculam cada vez mais as mudanças climáticas aos incêndios; em particular, no ano passado, os chefes dos bombeiros e o governador da Califórnia começaram a chamar este fenômeno de 'a nova normalidade'", disse o autor principal do estudo, John Abatzoglou, professor de geografia da Universidade de Idaho.

Os cientistas chegaram a estas cifras após estudar oito sistemas diferentes para qualificar a aridez das florestas, incluindo o Índice de Severidade de Seca Palmer, o Índice de Perigo de Incêndios Florestais MacArthur e o Sistema Canadense de Qualificação de Risco de Incêndios Florestais.

Não foram avaliados outros fatores responsáveis por dar início a incêndios florestais, como o impacto de milhões de árvores mortas por pragas de besouros, as mudanças na umidade do solo devido ao degelo prematuro ou a possibilidade de maior frequência de raios - tal como se espera em um mundo mais quente.

Portanto, as estimativas podem ser inferiores à realidade, advertiram os cientistas.

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