ONU quer responsabilizar e julgar autores do massacre no Iêmen

Paris, 10 Out 2016 (AFP) - A ONU exigiu nesta segunda-feira que se responsabilize e julgue os envolvidos no bombardeio que matou 140 pessoas durante um funeral no Iêmen, em um ataque atribuído pelos rebeldes xiitas que controlam Sanaa à coalizão liderada pela Arábia Saudita.

"Temos que fazer todo o possível para garantir que os autores destes ataques desumanos cheguem à Justiça", disse o representante da ONU para o Iêmen, Ismail Uld Sheikh Ahmed, após se reunir com o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, defendeu a criação de uma comissão independente que investigue as violações dos direitos humanos no Iêmen, afirmando que o Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, deve realizar uma "investigação completa", depois que o organismo negou-se no mês passado a iniciá-la.

"Deve haver responsabilidades pela reprovável condução desta guerra", disse Ban a jornalistas. "Insisto em que o Conselho de Direitos cumpra seu dever e aja".

No fim de setembro, um grupo de países europeus, liderados pela Holanda, impulsionaram neste Conselho uma resolução propondo uma investigação internacional, mas a proposta foi descartada e ficou sobre a mesa um texto mais brando, proposto pelo Sudão.

A Arábia Saudita, que lidera a coalizão militar em apoio ao governo do Iêmen contra os rebeldes huthis, se opôs incondicionalmente a uma investigação.

Ban disse que o bombardeio durante um funeral, que matou mais de 140 pessoas, foi "um ataque impiedoso contra civis e uma violação vergonhosa da legislação internacional sobre direitos humanos".

"Este era um centro comunitário conhecido por todos. Estava lotado de famílias e crianças", acrescentou.

No ataque de sábado, um dos mais mortais desde que a coalizão lançou sua ofensiva, em março de 2015, também ficaram feridas mais de 500 pessoas.

Os rebeldes acusaram de imediato a coalizão dirigida por Riad e a Arábia Saudita negou as acusações, ordenando a abertura de uma investigação sobre o bombardeio.

No domingo foram registradas manifestações em Sanaa, onde milhares de partidários huthis gritaram "Morte aos Al-Saud", a família que reina em Riad.

O objetivo da coalizão árabe é restabelecer a autoridade em todo o país do governo iemenita reconhecido pela comunidade, e de seu presidente, Abd Rabbo Mansur Hadi.

Já o ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh, aliado dos rebeldes, convocou, com retórica belicista, uma mobilização militar na fronteira saudita.

Em um discurso transmitido pela televisão, o ex-presidente, que dirigiu o país por mais de 30 anos e que ainda conta com forte apoio no exército, mesmo quatro anos depois de ter sido obrigado a deixar o poder, convocou "as forças armadas e os comitês populares a se dirigirem ao front de guerra na fronteira para vingar as nossas vítimas".

- Preocupação em Washington -Os Estados Unidos, aliados de Riad, disseram estar "profundamente preocupados" e anunciaram que revisarão seu apoio à coalizão árabe, uma ajuda que foi diminuindo nos últimos meses.

O ataque de sábado fez com que o secretário de Estado americano, John Kerry, tomasse a atitude incomum de ligar para o vice-príncipe herdeiro e ministro da Defesa saudita, Mohamed ben Salman. E também conversou com seu colega saudita, Adel al Jubeir, a quem pediu que "este tipo de ataque não se reproduza nunca mais". Kerry também defendeu um cessar imediato das hostilidades.

Esta situação é incômoda para os Estados Unidos, que fornecem bombas de precisão, informações e conselhos aos sauditas, embora essa ajuda tenha se reduzido de maneira significativa.

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