Advogados de suspeito chave em atentados de Paris desistem de defendê-lo

Paris, 12 Out 2016 (AFP) - Os advogados de Salah Abdeslam, suspeito-chave dos atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 em Paris, desistiram de defender seu cliente, convencidos de que ele, preso em regime de isolamento, não colaborará com a justiça.

A partir de agora, o único membro com vida dos comandos extremistas de 13 de novembro de 2015 enfrentará sozinho a justiça, já que não é exigida a presença de um advogado durante a instrução, embora deverá ter um, escolhido por ele ou de ofício, no futuro julgamento pelos atentados.

"Para garantir a defesa de um homem, são necessários dois, o advogado e o acusado. Salah Abdeslam não colabora mais" com a justiça, declarou Frank Berton, um de seus ex-advogados, em uma entrevista à revista L'Obs publicada nesta quarta-feira.

O advogado francês e seu colega belga, Sven Mary, declararam à rede de televisão BFM estar convencidos de que o suspeito "não se expressará e aplicará o direito de permanecer calado" até o fim. "Afirmamos desde o início, avisamos, que se nosso cliente permanecesse calado abandonaríamos sua defesa", acrescentou Berton.

Segundo Berton, Abdeslam "escreveu ao juiz de instrução para informá-lo de que não quer continuar sendo representado".

Acusado de assassinatos terroristas e suspeito-chave dos atentados que deixaram 130 mortos em Paris, Salah Abdeslam está detido em regime de isolamento desde 27 de abril passado, em uma prisão ao sul de Paris, e submetido a uma vigilância com câmeras de vídeo 24 horas por dia.

Durante sua primeira audiência na França, o suspeito disse que queria "se explicar mais adiante". Mas, nas três vezes em que foi convocado, sempre optou pelo direito de permanecer calado.

"É como um suicídio", advertiu o advogado francês.

- "Com ou sem ele" -Samia Maktouf, que defende 21 partes civis, opinou que "a investigação está avançando, seguirá com ou sem ele". "O importante para as vítimas é que ele possa estar no banco dos réus", destacou esta advogada à AFP.

Berton apontou novamente as condições de detenção como causa do silêncio de Abdeslam, detido em regime de isolamento e vigiado de forma ininterrupta.

"O poder político escolheu responder a expectativas populistas tratando-o assim, vigiando-o como um rato em uma jaula. Eu digo, a prisão está transformando Salah Abdeslam em um animal selvagem", denunciou.

"É detectada tortura psicológica em suas condições de detenção. Mas as pessoas fazem piada. Que o enforquemos simplesmente, é isso que querem? De qualquer forma, é algo triste para o Estado de direito", acrescentou Mary.

Salah Abdeslam recorreu ao Conselho de Estado francês para tentar suspender este regime de prisão inédito na França, mas a máxima jurisdição administrativa rejeitou o recurso no final de julho, diante do "caráter excepcional dos fatos terroristas" dos quais é acusado, que exigem "todas as precauções".

O papel exato de Abdeslam na noite de 13 de novembro não está completamente esclarecido. Próximo ao suposto organizador dos ataques, o extremista belga Abdelhamid Abaaoud, teve, segundo a polícia, "um papel central na constituição dos comandos" e "participação na chegada à Europa de um certo número de terroristas".

Após dirigir o carro dos três suicidas que detonaram seus explosivos em Saint-Denis, onde era disputada uma partida de futebol entre França e Alemanha no Stade de France, aparentemente perambulou por Paris durante toda a noite.

No dia seguinte, viajou com dois amigos que se dirigiram da Bélgica para buscá-lo.

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