Xiitas celebram Ashura de luto e com autoflagelações

Karbala, Iraque, 12 Out 2016 (AFP) - Com atos de autoflagelação, centenas de milhares de peregrinos xiitas lembravam nesta quarta-feira, na cidade santa iraquiana de Kerbala, o martírio do imã Hussein, um neto do profeta Maomé assassinado no século VII, episódio fundador do xiismo.

O mesmo fervor era visto em outras cidades do mundo, em particular em Teerã, onde milhares de fiéis marcharam batendo nas costas com correntes até sangrar.

Em Cabul, as cerimônias foram ofuscadas pelos atentados contra três mesquitas xiitas em 24 horas, que deixaram mais de 30 mortos e 90 feridos. Dois destes ataques foram reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Um total de 30.000 membros das forças de segurança foram mobilizados em Kerbala por medo de atentados do EI.

Vestidos de preto, os peregrinos participaram da processão de "Tatbir" flagelando-se nas costas e no tórax com correntes, para lembrar o martírio do imã Hussein, assassinado no ano 680 pelas tropas do Califa dos Omíadas Yazid na batalha de Kerbala.

Todos os anos, fiéis de todo o mundo visitam o mausoléu, situado 80 km a sudeste de Bagdá.

- 4,5 milhões de peregrinos em Kerbala -Nos últimos dez anos, 4,5 milhões de fiéis visitaram Kerbala, declarou à AFP o general Qais Jalaf Rahaima, responsável pela segurança para a região.

"Continuaremos celebrando o imã, apesar da ameaça terrorista", declarou Saad Jassem, de 35 anos, procedente da cidade de Najaf.

Karim Hussein, que viajou da cidade portuária de Basra, no sul do Iraque, disse que participar das celebrações também é "uma mensagem dirigida aos políticos iraquianos", criticados há dois anos pela corrupção.

"O imã Hussein se levantou e se rebelou contra os líderes corruptos", destaca.

No Líbano, várias dezenas de milhares de partidários do movimento xiita Hebzollah marcharam no subúrbio sul de Beirute, reduto deste partido, e nas cidades de Hermel (leste), Jbeil e Nabatiyé (sul).

Os fiéis, que carregavam bandeiras do Iêmen e do Hezbollah, responderam à convocação do chefe do partido Hassan Nasrallah, que neste ano dedicou a comemoração à solidariedade com os rebeldes xiitas huthis que lutam contra a intervenção da Arábia Saudita no Iêmen.

O Hezbollah, partido apoiado pelo Irã e inimigo da Arábia Saudita, também combate na Síria em apoio ao governo de Bashar al-Assad.

No Afeganistão, a Ashura foi cercada de luto pelos ataques contra as mesquitas de Karte Saji e Karte Char de Cabul, que deixaram ao menos 17 mortos, segundo o último balanço divulgado.

O atentado foi reivindicado nesta quarta-feira pela organização Estado Islâmico (EI), segundo um comunicado publicado no aplicativo Telegram.

"O EI na província de Khorosan reivindica o ataque contra os peregrinos xiitas" em Cabul, declara o grupo.

Os xiitas frequentemente são alvos de grupos extremistas sunitas, particularmente no Iraque.

Mas nos últimos meses o Estado Islâmico perdeu uma grande parte do território que havia conquistado no Iraque em 2014 e as forças iraquianas estão preparando a ofensiva final contra Mossul, seu último reduto no país.

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