Cerca de 15 imigrantes somem em resgate em águas líbias

A bordo do Astral, Italia, 13 Out 2016 (AFP) - Pelo menos 15 imigrantes desapareceram em um resgate frente à costa líbia, marcado por difíceis condições meteorológicas, com ondas de quase três metros e fortes rajadas de vento.

Segundo testemunho do fotógrafo da AFP Aris Messinis - que está há dez dias a bordo do navio Astral, da organização humanitária espanhola Proactiva Open Arms -, um grupo de mais de 100 imigrantes, entre eles várias mulheres e crianças, quase naufragou em águas líbias.

O barco zarpou na quarta-feira (12) de Sabrata, na Líbia, aproveitando que o mar estava calmo.

Quando o vento começou a soprar forte, as ondas balançaram a embarcação como uma folha de papel, e "tudo se transformou num inferno", contou Messinis, falando do Astral, que nesse momento patrulhava a área.

Os imigrantes lançaram um apelo desesperado à Guarda Costeira italiana, que coordena as operações de resgate na região. Também foram mobilizados os navios "Fênix", de uma ONG maltesa, e "Iuventa", da ONG alemã Jugend Rettet.

Na escuridão da noite, o "drone" do Fênix conseguiu localizar a embarcação a 8 milhas náuticas da costa da Líbia, 4 milhas dentro da zona onde os barcos de socorro estrangeiros não podem intervir.

"Advertimos a Guarda Costeira líbia que iríamos entrar, acontecesse o que acontecesse, porque o barco estava afundando e, no final, cederam", contou Messinis, que assistiu na semana passada a outro dramático resgate de 700 imigrantes que passaram horas à deriva.

A situação é perigosa, já que, este ano, vários navios humanitários foram atacados por homens armados, que dispararam ao entrar em águas líbias.

Em setembro, a Guarda Costeira líbia prendeu dois alemães da ONG Mar-Eye, alegando que violaram a linha de separação estabelecida.

As equipes de resgate conseguiram salvar 113 pessoas - 89 homens, 11 mulheres, 11 crianças e dois adolescentes -, as quais se encontram agora a bordo do Fênix.

Segundo os sobreviventes, cerca de 130 pessoas estavam embarcadas.

Desde o início do ano, a Itália recebeu pelo menos 145.000 imigrantes em seu litoral. Segundo a ONU, 3.626 morreram, ou são considerados desaparecidos, no Mediterrâneo.

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