Paquistão adia julgamento em apelação de cristã condenada à morte por blasfêmia

Islamabad, 13 Out 2016 (AFP) - A Suprema Corte do Paquistão adiou por tempo indeterminado o julgamento da cristã Asia Bibi, condenada à morte por blasfêmia, após a renúncia de um dos três juízes do tribunal.

O juiz Iqbal Hameed ur Rehman afirmou que sua renúncia se deve ao fato de já ter participado no julgamento do assassino de Salman Taseer, governador liberal de Penjab.

"Os dois casos estão ligados", afirmou o juiz para justificar a desistência.

Asia Bibi foi julgada em 2010 com base em uma polêmica lei após uma discussão com uma muçulmana por um vaso de água. Ela está há vários anos no corredor da morte de uma penitenciária paquistanesa.

Salman Taseer foi assassinado em Islamabad em 2011 por ter defendido Asia Bibi.

Seu assassino, Mumtaz Qadri, foi enforcado no início de 2016, uma decisão elogiada pelos liberais, o que levou os conservadores a exigir a execução de Bibi.

Os advogados de Asia Bibi pedem que a Suprema Corte anule a condenação à pena de morte.

Em seis amos de batalha judicial, o caso se tornou emblemático dos excessos da legislação contra a blasfêmia que, segundo os críticos, muitas vezes é utilizada para ajustes de contas com acusações falsas.

O caso de Asia Bibi deixa evidente que as autoridades paquistanesas parecem hesitar entre o respeito aos direitos humanos e concessões aos fundamentalistas religiosos.

No Paquistão, onde o islã é a religião de Estado, a blasfêmia é um tema muito delicado. A lei prevê até a pena de morte para pessoas consideradas culpadas de ofensa ao islã.

Acusações simples às vezes provocam cenas de linchamento. E os cristãos, uma minoria perseguida, são alvos frequentes.

O caso de Asia Bibi teve repercussão mundial, com declarações dos papas Bento XVI e Francisco. O primeiro pediu sua libertação e o segundo recebeu sua filha em 2015 e rezou pela condenada.

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