Tailandeses choram a morte de seu venerado monarca

Bangcoc, 13 Out 2016 (AFP) - Rezando, lamentando ou caídos de joelhos, os tailandeses tentavam aceitar, nesta quinta-feira, a morte do rei Bhumibol Adulyadej, o único monarca conhecido pela maioria deles.

"Como será o país sem o Pai? Pai!", repetia um desconsolado Patcharapol Piamsaad, um entre as centenas de tailandeses que passaram dias às portas do hospital de Bangcoc, onde o rei estava internado.

O reverenciado Bhumibol, o monarca há mais tempo no trono em todo o mundo, morreu na quinta-feira aos 88 anos, deixando um país dividido de forma perene sem uma figura paternal de união.

A saúde do rei tinha piorado durante anos, mas muito continuavam incapazes de aceitar seu inevitável falecimento.

Muitos cidadãos rezavam em silêncio debaixo do quarto do hospital onde estava o rei, como fizeram durante dias. Quando a notícia de sua morte correu repentinamente entre a multidão, as orações silenciosas se tornaram um lamento desesperado.

Os tailandeses, consternados, se davam as mãos em uma oração contínua. Alguns, inclusive, se deixavam cair no chão.

Outros aguentavam, cantando seu hino real pessoal, deixando as lágrimas cair.

Foram muitos os que foram às imediações da clínica, às margens do rio, levando fotos de Bhumibol e chorando, enquanto um clima de luto reinava em outras partes da cidade.

À espera de um milagreAssim que vazaram as notícias da morte, uma multidão de tailandeses ainda gritava em coro "Vida longa ao rei!" no pátio do hospital.

"Quero que o rei nos escute caso ressuscite", disse Sukit Tanaboonsombat, de 46 anos, um dos tailandeses presentes, liderando os cânticos e sem desviar seu olhar das janelas do hospital.

Sukit explicou que se apressou para chegar ao local assim que soube da notícia, na qual se negava a acreditar.

"Estou esperando um milagre, que o rei ressuscite porque ele disse que queria viver 120 anos", afirmou.

Em todas as emissoras, a TV tailandesa exibia uma programação especial sobre o venerado monarca, com imagens dele durante a coroação, em 1946; patrulhando de uniforme militar e supervisionando programas de ajuda aos pobres.

A deterioração de sua saúde despertou preocupação no país sobre o futuro político da nação.

A maioria dos tailandeses não conheceu nenhum outro monarca além de Bhumibol e, embora ele mantivesse oficialmente uma posição política neutra, o povo o via como um guia que soube dirigir o país durante décadas de tumultos, golpes de Estado e distúrbios violentos.

"Estamos esperando por um milagre, mas parece que é impossível", declarou Penaree Thanawirachotikul. "Gritamos aos céus e aos anjos para que digam ao rei que os tailandeses serão fortemente leais a ele para sempre".

"O rei morreu, mas sempre estará no coração de todos os tailandeses", acrescentou.

Em sinal de respeito, os locais dos conhecidos bairros vermelhos de Bangcoc também fecharam rapidamente na noite desta quinta-feira. As imagens que circulavam pelas redes sociais mostravam bares, normalmente lotados, completamente vazios.

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