Argentina protesta por exercícios militares britânicos nas Malvinas

Buenos Aires, 14 Out 2016 (AFP) - A Argentina rechaçou contra a realização de exercícios militares britânicos nas Ilhas Malvinas, cuja soberania reivindica, e entregou uma nota "formal e enérgica de protesto" ao embaixador do Reino Unido, informou a chancelaria nesta sexta-feira.

"O vice-chanceler Carlos Foradori fez a entrega de uma nota ao embaixador do Reino Unido (Mark Kent) no nosso país com um protesto enérgico e formal ante os mencionados exercícios militares, exigindo-lhe que se abstenha de realizá-los, ao mesmo tempo em que porá o secretário-geral das Nações Unidas a par da situação", informou a chancelaria em um comunicado.

O embaixador britânico foi convocado à sede do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, onde foi comunicado do protesto do governo de Mauricio Macri.

A chancelaria informou ter tomado conhecimento na quinta-feira, através do Serviço de Hidrografia Naval, de que a Grã-Bretanha tinha previsto realizar "exercícios militares ilegítimos na área das Ilhas Malvinas nos dias 19 e 28 de outubro de 2016, que incluirão o lançamento de mísseis 'Rapier'".

"A Argentina repudia a realização destes exercícios em território argentino ilegitimamente ocupado pelo Reino Unido", indicou o comunicado oficial.

A chancelaria acrescentou que as manobras "desconhecem as resoluções das Nações Unidas e de outros organismos internacionais, que exigem aos dois países retomar as negociações a fim de encontrar uma solução pacífica e definitiva para a disputa da soberania, assim como se abster de realizar atos unilaterais nos territórios e espaços marítimos em disputa".

O ministério avaliou, ainda, que a ação "contradiz o princípio de solução pacífica de controvérsias, apoiado pelos países da região".

Em 2010 e 2014, durante o governo de Cristina Kirchner (2007/2015), a Argentina já tinha protestado contra exercícios militares em águas territoriais das Ilhas Malvinas.

Nas Malvinas, onde a população oficial é de 2.500 habitantes, estima-se que haja um militar a cada dois civis.

Em 2014, Buenos Aires denunciou que Londres dispõe de uma base nuclear nas ilhas, por ocasião do 32º aniversário da Guerra das Malvinas, o que foi desmentido pelo Reino Unido.

Esmagada militarmente pelo Reino Unido na guerra de 1982, a Argentina continua reivindicando a soberania das ilhas, situadas a 500 km de sua costa, e a mais de 13.000 km da Grã-Bretanha, ocupadas pelos britânicos desde 1833.

O conflito, iniciado pelo governo ditatorial que governou a Argentina entre 1976 e 1983, causou a morte de 649 argentinos e 255 britânicos.

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