Libertado último preso mauritano em Guantánamo

Nouakchott, 17 Out 2016 (AFP) - O último dos presos mauritanos que permanecia na base militar americana de Guantánamo, Mohamedou Ould Slahi, autor do livro "Diário de Guantánamo", foi libertado e levado a seu país, informaram fontes concordantes.

"Os Estados Unidos estão gratos ao governo da Mauritânia por seu gesto humanitário e por sua disposição de apoiar os esforços americanos para fechar o centro de detenção da Baía de Guantánamo", declarou o departamento de Defesa em um comunicado.

Ainda permanecem 60 réus na prisão de Guantánamo, criada após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Mohamedou Ould Slahi, 45 anos, estava preso - sem julgamento - em Guantánamo desde agosto de 2002.

Em seu livro, Slahi - que antes de chegar a Guantánamo esteve preso na Mauritânia, Jordânia e Afeganistão - descreve sua detenção como uma "turnê mundial de tortura e humilhação".

"Não ficará livre de imediato porque deverá ser interrogado pelos serviços de segurança" na Mauritânia, informou um funcionário, que pediu para não ser identificado.

A Agência Mauritana de Informação (AMI) confirmou que Slahi foi levado ao país e que "a libertação deste cidadão é produto dos esforços diplomáticos realizados no mais alto nível, durante anos, pelas autoridades mauritanas".

O presidente dos EUA, Barack Obama, se comprometeu a fechar o campo de detenção de Guantánamo antes de concluir seu mandato, e restam apenas três meses para o cumprimento da promessa.

Em "Diário de Guantánamo", Ould Slahi relata como foi torturado e como quase ficou louco na prisão.

"Comecei a alucinar e a escutar vozes tão claras como se fossem reais. Escutava minha família conversando (...) Ouvia leituras do Alcorão com uma voz celestial", contou Slahi em suas memórias.

"Estive a ponto de ficar louco" na prisão.

Slahi revelou que foi forçado a prestar falso testemunho e a assumir que havia planejado um atentado contra o prédio da rede de televisão CNN em Toronto.

"Os 14 anos de detenção ilegal e de tortura contra Slahi foram irracionais e sua transferência demorou além da conta", declarou a Anistia Internacional.

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