Hollande e Merkel não excluem sanções contra Rússia por Síria

Berlim, 20 Out 2016 (AFP) - O presidente francês e a chanceler alemã, François Hollande e Angela Merkel, não excluíram a imposição de sanções contra a Rússia pelo bombardeio de civis na cidade de Aleppo, no norte da Síria, ao final de uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, em Berlim.

"Tudo que represente uma ameaça pode ser útil", declarou Hollande à imprensa sobre o tema, enquanto Merkel estimou que "não podemos nos privar desta opção".

Sobre as possível sanções, o presidente francês declarou que "as opções estão abertas", e citou "indivíduos responsáveis que realizam este tipo de ações e crimes".

Hollande denunciou como "crimes de guerra" os bombardeios russos e do governo sírio sobre a cidade.

"O que acontece em Aleppo é um crime de guerra. A primeira exigência é o cessar dos bombardeios por parte do governo e de seus aliados".

"Saímos desse encontro com a impressão de que pode haver uma prolongação da trégua, mas cabe ao governo sírio e à Rússia provar isso", completou, em entrevista à imprensa ao lado de Merkel.

Já a chanceler alemã denunciou os bombardeios "desumanos", depois de discussões chamadas de "claras e duras" com Putin.

O presidente russo garantiu, por sua vez, que a Rússia está pronta para estender a "pausa humanitária" em Aleppo, "tanto quanto possível".

"Revelamos nossa intenção de prorrogar, na medida do possível e em função da situação real no terreno, a suspensão dos nossos ataques aéreos", declarou Putin em entrevista coletiva transmitida pela TV russa após a reunião em Berlim.

O secretário de Estado americano, John Kerry, advertiu nesta quarta-feira à Rússia que capturar Aleppo não ajudará a acabar com a guerra civil e talvez radicalize as forças da oposição.

"Ainda que a Rússia e Assad tenham sucesso e tomem Aleppo, a dinâmica fundamental desta guerra não mudará (...), mas se os russos suspenderem seus bombardeios e ordenarem a Assad que detenha a ofensiva, então os poderes internacionais poderão trabalhar no terreno com os moderados para isolar os extremistas", declarou o secretário de Estado.

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