O paraíso dos lêmures no Madagascar

Fort-Dauphin, Madagascar, 20 Out 2016 (AFP) - Ameaçadas pelo desmatamento e pela caça, várias espécies de lêmures, os pequenos primatas emblemáticos de Madagascar, se refugiaram em um santuário privado da ilha, que tenta protegê-los a duras penas.

De uma plantação de bambus na beira do rio da reserva de Nahampoana saem gritos estridentes. A pequena cabeça de um lêmure-grisalho-do-bambu aparece entre os longos talos. Um pouco mais distante, outros três animais brincam entre as árvores.

"Aqui, temos seis espécies de lêmures, quatro diurnas e duas noturnas", explica à AFP Léonard Dauphin, o supervisor do santuário.

"Os lêmures dos bambus chegaram aqui naturalmente, porque na reserva estão tranquilos e protegidos. O número aumenta, agora há quatro famílias", comenta satisfeito o idoso, que participou da criação do parque, em 1997.

A população do parque hoje é de 150 animais. Os lêmures-de-cauda-anelada, símbolos desta ilha do oceano Índico, saltam no meio das tartarugas, crocodilos e rãs que habitam a reserva de 50 hectares.

"Antes, era o paraíso. Chamavam este lugar de a 'montanha nas nuvens', porque a floresta retinha as nuvens. Agora é um deserto. Os habitantes cortam árvores diariamente", lamenta Gauthier, um dos guias do parque, apontando para o pico de Saint-Louis, o ponto mais alto da região.

Há quase 20 anos, este antigo jardim colonial francês sobrevive graças aos fundos de Aziz Badouraly, diretor de uma agência de viagens da cidade vizinha de Fort Dauphin.

"Quando começamos, o parque estava abandonado, era desolador", lembra.

Mas, com apenas 3.000 turistas por ano, o número de visitantes é insuficiente para garantir o financiamento do parque.

E as autoridades de Madagascar, onde nove de cada dez habitantes vivem abaixo da linha da pobreza, carecem de meios para uma política ativa de proteção do meio ambiente.

Urgência"Gostaríamos que o Estado nos ajudasse mais, ou pelo menos que construísse uma estrada correta" entre a cidade e a reserva, lamenta Aziz Badouraly.

Julio Pierrot Razafindramaro, diretor da região de Anosy, onde fica o santuário, reconhece sua impotência: "Nos limitamos ao acompanhamento dos projetos" das ONGs ou do setor privado, explica.

Segundo as ONGs de proteção da fauna silvestre, a sobrevivência de dezenas de espécies de lêmures, cuja população é de menos de 10.000 exemplares, não é garantida.

Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), 94% das espécies de lêmures está em risco de extinção.

"Os encontramos em um só lugar do mundo, em Madagascar", observa Jeff Flocken, do Fundo Internacional para o Bem-estar Animal (Ifaw), o que faz com que salvá-los seja "urgente".

Os lêmures estão incluídos no Anexo I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), que proíbe estritamente o comércio de animais e plantas ameaçados.

A sensibilização dos habitantes dos arredores de Nahampoana sobre a importância de proteger este primo distante do macaco começa a dar resultados.

"Colaboramos com os locais", explica Léonard Dauphin. "Vendemos a eles, por exemplo, lichias da reserva por um preço três vezes menor do que o do mercado. Em troca, lhes pedimos que respeitem os animais. É interessante para todo mundo".

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