Colômbia: negociador com as Farc admite fragilidade do processo de paz

Bogotá, 21 Out 2016 (AFP) - O processo de paz na Colômbia está "fragilizado" após a rejeição - em referendo - do acordo firmado com a guerrilha das Farc, admitiu nesta sexta-feira o chefe negociador do governo, Humberto de la Calle.

"Não podemos esconder que a situação é frágil", declarou Humberto de la Calle em mensagem a partir da presidencial Casa de Nariño, sobre as dúvidas em relação a um futuro acordo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após o referendo de 2 de outubro.

"Entendemos que a incerteza sobre o rumo da paz deve terminar, ainda que, por sorte, o cessar-fogo está sendo mantido", declarou o negociador antes de partir para Havana, onde tentará renegociar o acertado com os rebeldes durante quatro anos de árduas conversações.

Com base no acordo de paz, as partes declararam em agosto passado um cessar-fogo bilateral e definitivo, que após a derrota no referendo foi prorrogado pelo presidente Juan Manuel Santos até 31 de dezembro.

O resultado do referendo impede a implementação dos termos do acordo de paz, o que levou Santos a se reunir com os principais opositores ao acordo, entre eles o ex-presidente Álvaro Uribe, para escutar propostas e iniciar uma renegociação.

"A necessidade de consolidar um novo acordo de maneira eficaz e rápida não corresponde apenas ao desejo da maioria dos colombianos, mas atende também ao propósito de se evitar um retrocesso que reinicie o horror da violência", afirmou De la Calle.

O chefe negociador destacou "a disposição patriótica" que encontrou em "dezenas" de propostas nos diversos setores políticos e sociais contrários ao acordo final, firmado em 26 de setembro, na cidade de Cartagena.

"Nos satisfaz detectar que ninguém se opõe à busca de um acordo de paz", declarou De la Calle, que convocou todas as partes a trabalhar com "generosidade" e atuar com "grandeza" para alcançar uma "paz estável e duradoura".

A Colômbia vive um conflito armado há mais de 50 anos envolvendo guerrilhas, paramilitares e agentes da força pública, que já deixou 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e 6,9 milhões de deslocados.

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