Corredores humanitários vazios no segundo dia da trégua en Aleppo

Alepo, Síria, 21 Out 2016 (AFP) - No segundo dia da trégua humanitária na cidade síria de Aleppo, nenhum ferido foi retirado da área controlada pelos rebeldes nesta sexta-feira e ninguém passou pelos corredores instalados para a saída de civis e rebeldes.

A ONU confirmou que não vai retirar feridos dos bairros controlados pela oposição e que os oito corredores instalados com este objetivo permanecem desertos.

A organização explicou que adiou as primeiras retiradas de feridos previstas para esta sexta-feira porque não estavam garantidas as condições de segurança. Além disso, os funcionários de auxílio em emergências não conseguiram chegar ao local até o momento.

Acusados pelos países ocidentais de "crimes de guerra" em Aleppo, o regime do presidente Bashar al-Assad e sua aliada Rússia suspenderam desde terça-feira os bombardeios - que haviam começado em 22 de setembro - contra os bairros da zona leste da segunda maior cidade da Síria, que mataram centenas de civis.

Segundo a ONU, 200 feridos e doentes precisam ser retirados de forma urgente dos bairros de Aleppo controlados por rebeldes, onde vivem 250.000 pessoas.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, acusou na quinta-feira os rebeldes sírios de "violação do cessar-fogo" e de "impedir a saída da população". Moscou também acusou os rebeldes de intimidação.

"Não houve movimentação nos corredores dos bairros da zona leste. Até o momento não observamos nenhum movimento de moradores ou de combatentes", confirmou o diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

Inicialmente a pausa humanitária unilateral teria duração de 11 horas, mas o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, anunciou na véspera que o prazo seria estendido por 24 horas, sem explicar com clareza quando terminará a trégua.

Aleppo, que já foi a capital econômica da Síria, virou o símbolo da guerra que devasta o país desde março de 2011 e que já provocou mais de 300.000 mortes.

Um correspondente da AFP posicionado no fim de um dos corredores no bairro de Bustan al-Qasr, do lado controlado pelo governo sírio, não observou qualquer movimento durante a manhã. Na quinta-feira apenas oito pessoas passaram pelo local.

Desde o início do cessar-fogo não acontecem bombardeios aéreos ou ataques da artilharia na zona leste de Aleppo, mas foram registrados confrontos esporádicos, alguns deles perto dos corredores humanitários.

A ONU esperava iniciar nesta sexta-feira as transferências médicas, mas foi obrigada a adiar a medida por problemas de segurança, anunciou em Genebra o porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) das Nações Unidas, Jens Laerke.

Nenhum comboio de ajuda da ONU entra em Aleppo desde 7 de julho. No fim de outubro a cidade deve ficar sem estoques de alimentos, advertiu o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

A oposição síria critica a ONU por priorizar a ajuda para que as pessoas consigam abandonar a região, ao invés de fornecer auxílio para que possam ficar em suas casas.

Em um comunicado conjunto, a Coalizão Nacional Síria e o Exército Livre Sirio afirmam que a política da ONU é "defeituosa e, ao invés de prevenir deslocamentos forçados, entra no jogo do regime de Assad que deseja esvaziar Aleppo". Os movimentos acusam ainda a organização de virar um "brinquedo nas mãos da Rússia".

A ONU respondeu com a acusação de que os rebeldes impedem os moradores a abandonar Aleppo. Moscou e Damasco fizeram um apelo aos civis para que deixem a cidade, com o objetivo de concentrar a ofensiva nos combatentes do grupo Jabhat Fateh al-Sham (ex-Frente Al-Nusra), o braço sírio da Al-Qaeda.

Os dois governos repetem que não pretendem encerrar a ofensiva antes que os extremistas abandonem a cidade.

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