Segundo dia de combates entre as tropas iraquianas e o EI em Kirkuk

Kirkuk, Iraque, 22 Out 2016 (AFP) - A cidade iraquiana de Kirkuk registrava neste sábado o segundo dia de combates entre as forças de segurança de Bagdá e os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI), que executaram na sexta-feira um inesperado e violento ataque.

A ação de sexta-feira impressionou e demonstrou a capacidade do EI para atacar fora de zonas sob seu controle, enquanto as forças iraquianas, com o apoio da coalizão internacional prosseguem com o sexto dia da ofensiva contra Mossul, último grande reduto do grupo extremista no Iraque.

Vinte e quatro horas depois do inesperado ataque jihadista contra Kirkuk, a cidade controlada pelos curdos segue sob ameaça de atentados suicidas e franco-atiradores do EI, o que obrigou o governo de Bagdá a enviar reforços.

Homens-bomba do EI atacaram na sexta-feira vários edifícios do governo em Kirkuk e uma central elétrica em construção, ao noroeste da cidade.

"Os confrontos com o Daesh deixaram 46 mortos e 133 feridos, em sua maioria membros dos serviços de segurança", afirmou à AFP neste sábado uma fonte militar do ministério do Interior iraquiano, utilizando o acrônimo em árabe do grupo extremista.

As forças iraquianas anunciaram que mataram 48 extremistas e deixaram vários feridos nos combates em Kirkuk.

"Quarenta e oito terroristas do Daesh (EI) morreram nos confrontos", afirmou neste sábado à AFP o general Jatab Omar Aref, chefe de polícia da cidade.

O militar explicou que vários deles ativaram os explosivos presos aos corpos quando foram cercados pelas forças de segurança.

Mais de 100 extremistas participaram nos ataques, vários deles com cinturões de explosivos.

As autoridades de Kirkuk, cidade multiétnica com a presença de várias comunidades religiosas, decretaram na sexta-feira um toque de recolher total por conta das ações de guerrilha urbana executadas pelos extremistas.

Kirkuk fica em uma região rica em petróleo a 150 km de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, controlada pelo EI desde junho 2014, e a 240 km de Bagdá.

A localidade acordou na sexta-feira com os jihadistas percorrendo as ruas de alguns bairros.

De acordo com testemunhas, eles entraram nas mesquitas e gritaram 'Alá Akbar' (Deus é grande) e 'Dawla al Islam baqiya' (O EI vencerá).

- Manobra de distração -Um dos jihadistas capturados pelas forças curdas afirmou que o ataque contra Kirkuk foi planejado pelo líder supremo do EI, Abu Bakr al-Baghdadi, como uma manobra de distração no sexto dia da ofensiva iraquiana, apoiada pela coalizão internacional, contra Mossul.

O ataque de sexta-feira "era um dos planos do califa de Bagdá (o líder do grupo extremista) para demonstrar que o EI continua avançando e para reduzir a pressão na frente de Mossul", disse o jovem detido em Kirkuk.

Neste sábado, o secretário de Defesa americano, Ashton Carter, desembarcou em Bagdá para uma visita não anunciada e que pretende avaliar a ofensiva em Mossul, que de acordo com algumas fontes é defendida por entre 3.500 e 4.500 extremistas.

Carter se reunirá com o comandante militar da coalizão internacional antijihadista, o general americano Stephen Townsend, e com o primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi.

O governo dos Estados Unidos mantém mais de 4.800 soldados no Iraque. O contingente proporciona apoio logístico e assessoria às forças iraquianas, mas, com exceção de casos específicos, não participa diretamente em combates.

"Será necessário um grande trabalho de reconstrução e estabilização após a reconquista de Mossul", disse o chefe do Pentágono.

Ao mesmo tempo, as autoridades iniciaram a instalação de campos de deslocados. Quase 1,5 milhão de civis permanecem bloqueados em Mossul. De acordo com a ONU, apenas nos três primeiros dias da ofensiva foram registrados 5.640 deslocados.

As forças iraquianas prosseguem em seu avanço para Qaraqosh, ao leste de Mossul, a maior cidade cristã do Iraque até a fuga de sua população ante o avanço dos extremistas e a tomada de controle da região, em junho de 2014.

Jornalista mortoUm jornalista iraquiano de televisão morreu neste sábado quando trabalhava na cobertura da ofensiva militar das forças de segurança para retomar a cidade de Mossul do grupo extremista Estado Islâmico (EI), anunciou o canal Al Sumaria TV.

O jovem repórter morreu quando cobria a batalha perto da localidade de Al-Shura, ao sul de Mossul, informou a emissora em seu site oficial.

Este é o segundo jornalista iraquiano morto em dois dias. Na sexta-feira, um profissional do canal turcomano Ili faleceu ao ser atingido por um atirador do EI em Kirkuk, onde prosseguem os confrontos.

Em outro ataque violento, dois civis morreram em consequência da fumaça tóxica após um ataque do EI contra uma fábrica de enxofre na região de Mossul.

"O Daesh explodiu há dois dias a fábrica de enxofre e isto provocou a morte de duas pessoas entre os civis que moram nas proximidades", disse o general Qusay Hamid Kadhem.

"Várias pessoas ficaram feridas por causa da fumaça tóxica", completou.

De acordo com várias fontes, o EI explodiu parte da fábrica de enxofre de Mishraq na quarta-feira.

bur-jmm/fp

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