Tensão na costa da Líbia com a chegada de migrantes

A bordo do Siem Pilot, 22 Out 2016 (AFP) - Mais de 8.100 migrantes foram socorridos esta semana na costa da Líbia e, neste sábado (22), o navio norueguês "Siem Pilot" tentava ajudar as lanchas improvisadas à deriva, sobrecarregadas de pessoas procedentes da África.

Neste sábado, 2.400 migrantes foram resgatados em difíceis operações, e 14 corpos, encontrados, segundo a Guarda Costeira italiana.

Antes do amanhecer, pelo menos dez pessoas, incluindo quatro crianças, desapareceram quando inúmeros migrantes caíram de uma lancha que naufragava, relatou a ONG Médicos Sem Fronteiras, cujo barco "Dignity 1" socorreu os sobreviventes.

Durante o dia, foram encontrados nove corpos sem vida em outra embarcação, mas ainda não se sabe a causa das mortes. Afogamento, asfixia, queimaduras, hipotermia, desidratação e exaustão estão entre as mais prováveis.

O ataque de um navio da Guarda Costeira líbia contra uma lancha de migrantes neste sábado provocou, de forma dramática, perguntas sobre a estratégia europeia de colaborar com as autoridades marítimas líbias.

A tripulação do "Siem Pilot", que patrulha a região sob mandato da agência europeia Frontex, deu abrigo a quase mil migrantes, exaustos e nervosos em sua maioria. Eles foram socorridos por um petroleiro na sexta-feira (21).

O mesmo petroleiro teve de acolher, às vezes em péssimas condições, outras centenas de migrantes que chegaram ao local neste sábado, a bordo de mais embarcações improvisadas.

"Nunca vi uma operação de socorro assim", disse o comandante da Polícia Pal Erik Teigen, que coordena as operações, a uma equipe da AFP a bordo do "Siem Pilot".

O mar calmo durante toda a semana favoreceu a saída dos migrantes a partir da costa líbia. As equipes de emergência acreditam que será batido o recorde de chegadas para o mês de outubro, com 20.000 pessoas resgatadas.

A situação é cada vez mais difícil para a Itália que, após o fechamento das fronteiras dos países do norte, deve receber em seu território boa parte dos migrantes.

Na sexta-feira (21), os ministros do Interior do "G6" afirmaram que a repatriação dos imigrantes em situação ilegal que não recebem asilo é "um elemento fundamental" da política europeia de fluxos migratórios.

A luta contra os traficantes líbios representa outro eixo, mas a operação naval Sophia iniciada em 2015 ainda não apresentou resultados satisfatórios.

A União Europeia pretende agora treinar e equipar a Guarda Costeira líbia para ajudar no esforço.

O início da formação está previsto para o fim de outubro. Primeiro, o bloco deseja assegurar que os 80 candidatos, que depois serão instrutores, são leais ao governo de união e não estão envolvidos em casos de corrupção.

"Na Líbia é muito difícil saber quem faz o que", disse o porta-voz da ONG alemã Sea-Watch, Ruben Neuegebauer.

"Nunca se sabe em que mãos terminará o material", acrescentou.

Na sexta à noite, ativistas da Sea-Watch que distribuíam coletes salva-vidas a 150 passageiros de uma lancha observaram o momento em que agentes da Guarda Costeira líbia agrediram os migrantes.

A violência dos agentes, que pretendiam recuperar o motor, provocou um movimento de pânico e a queda na água da maioria dos migrantes. Apenas 120 foram resgatados.

As ONGs afirmam que bloquear os migrantes na Líbia os expõe a situações dramáticas. Os médicos citam a saúde frágil e as marcas de torturas nas pessoas resgatadas.

"Fiquei preso na Líbia durante três meses", contou na manhã deste sábado um guineano de 33 anos a voluntários do barco "Aquarius" das ONGs SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras.

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