Trump revela medidas para primeiros 100 dias

Gettysburg, Estados Unidos, 23 Out 2016 (AFP) - Em discurso neste sábado (22), o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, prometeu mudar o "sistema quebrado" de Washington, ao anunciar as medidas que tomaria nos primeiros 100 dias de seu eventual governo.

"Vamos limpar o lamaçal que é Washington", afirmou o magnata, prometendo colocar em seu lugar "um novo governo, do povo para o povo e pelo povo".

"A mudança tem que vir de fora do nosso sistema quebrado", disse Trump diante de centenas de partidários em um comício na cidade histórica de Gettysburg, na Pensilvânia, evocando o famoso discurso de Abraham Lincoln de 1863.

"Nossa campanha representa o tipo de transformação que só chega uma vez na vida", insistiu o magnata em seu discurso de 45 minutos, onde, diferentemente de seus improvisos habituais, recorreu a anotações.

"Hillary Clinton não está em campanha contra mim, mas contra a mudança", frisou.

No evento, ele apresentou propostas para os primeiros 100 dias de seu governo, caso consiga chegar à Casa Branca nas eleições de 8 de novembro.

Prometeu criar "ao menos 25 milhões de empregos em uma década", conter a imigração ilegal, impôr limites aos mandatos parlamentares, renegociar o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, em inglês), sair da Parceria Transpacífico e revogar a reforma de saúde feita pelo presidente Barack Obama, entre outros pontos.

A classe média será agraciada com um corte de impostos de 35% e redução das taxas universitárias.

Trump disse também que cancelará "bilhões em pagamentos aos programas da ONU para mudança climática" e usará essa economia - segundo ele - "para reparar a infraestrutura ambiental e de água". A promessa é destinar US$ 1 bilhão para investimentos em infraestrutura nos próximos dez anos.

Ao mesmo tempo, garantiu que retomará os programas de desenvolvimento de energias fósseis.

Trump não se esqueceu de suas propostas contra a imigração e prometeu instaurar "controles extremos" nas zonas fronteiriças, além de erguer um muro na fronteira com México.

Ele voltou a alertar sobre a possibilidade de uma fraude.

"Há uma quantidade tão grande de anomalias. É incrível: 1,8 milhão de pessoas que morreram estão inscritas nos registros eleitorais, e algumas delas votam! Eu me perguntou como é possível", ironizou.

"Não sou um político e nunca quis ser", disse Trump.

"Mas, quando vi os problemas em que nosso país está imerso, senti que deveria agir", completou.

'União contra o ódio'A candidata democrata, Hillary Clinton, apresentou-se neste sábado à noite, no mesmo estado da Pensilvânia, em Pittsburgh, junto com seu vice, Tim Kaine.

"Ao contrário do nosso rival, nós não pensamos que podemos ganhar sozinhos. Eu também quero ser sua presidente", afirmou, referindo-se aos republicanos.

"Está acontecendo algo realmente fantástico nesse momento. As pessoas estão se juntando (democratas, republicanos, independentes...) para rejeitar o ódio e as divisões", afirmou.

Ovacionada, acrescentou: "a ira não é um projeto".

A média das últimas pesquisas concede a Hillary uma vantagem de seis pontos no país (45,2% contra 39,2% de Trump), e ela aparece como vencedora em dez dos 13 estados-chave, entre eles Flórida (sudeste), Pensilvânia, Michigan (norte) e Carolina do Norte (sudeste).

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