ONU e Washington defendem trégua que não existe na prática no Iêmen

Adem, 23 Out 2016 (AFP) - A ONU e os Estados Unidos atuam como se o cessar-fogo continue em vigor no Iêmen, mas, na prática, os combates e bombardeios aéreos se intensificaram desde que a trégua começou na quinta-feira.

O apelo feito pelo mediador da ONU, Ismail Uld Sheikh Ahmed, para que a trégua, expirada no sábado às 00H00, se prolongasse por 72h, parece que não teve impacto.

A situação piorou ainda mais neste domingo com uma série de bombardeios aéreos contra os rebeldes xiitas huthis na capital Sanaa e outras regiões do país onde os combatentes realizaram centenas de "violações" ao cessar-fogo.

As forças leais ao presidente, Abd Rabo Mansur Hadi, apoiadas por uma coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita, e os rebeldes huthis trocam acusações sobre violações da trégua, que foi decretada devido às pressões internacionais.

Com o cessar-fogo, buscava-se dar um respiro à população civil, devastada pelo conflito que já deixou desde março de 2015 mais de 6.900 mortos, 35.000 feridos e três milhões de deslocados, segundo as Nações Unidas.

"Na prática, esta trégua não aconteceu porque foi violada pelo huthis e seus aliados", declarou neste domingo à AFP o ministro das Relações Exteriores iemenita, Abdel Malek al Mejlafi, ao responder ao apelo do mediador da ONU que, na véspera, solicitou uma prorrogação de três dias do cessar-fogo.

Ismail Uld Sheikh Ahmed afirmou que a trégua havia sido "respeitada globalmente, apesar das violações registradas em ambos os grupos, em vários lugares".

"Uma renovação é inútil pois, ainda que a aceitemos, a outra parte não mostrou nenhum compromisso de respeitar a trégua ou qualquer outro acordo" para pôr fim à guerra, comentou Mejlafi.

No sábado, nove rebeldes e quatro combatentes pró-governo morreram em confrontos, segundo fontes militares leais a Hadi.

"Comédia de trégua""Esta comédia de trégua [...] continua desviando a opinião pública internacional do massacre selvagem e criminoso planejado pela Arábia Saudita e Estados Unidos" no Iêmen, denunciou um alto dirigente rebelde, Saleh al Sammad, citado no sábado à noite pelo site dos huthis, sabanews.net.

A coalizão árabe comandada por Riad bombardeou neste domingo ao amanhecer posições militares dos rebeldes e seus aliados, as unidades do exército fiéis ao ex-presidente Ali Abdallah Saleh, segundo fontes militares e dos rebeldes.

A base aérea Al Dailami, próxima ao aeroporto internacional de Sanaa, e três campos militares da capital foram atacados por aviões da coalizão que, segundo a emissora dos rebeldes Al Masirah, efetuou 16 bombardeios.

A coalizão também bombardeou posições dos rebeldes nas províncias de Marib (centro), Al Jawf e Saada (norte) e Taez (sudoeste), de acordo com fontes militares.

Para o chefe do Estado-Maior das forças pró-Hadi, Mohamed Ali Al Maqdachi, os rebeldes "provocaram deliberadamente o fracasso da trégua" mostrando, segundo ele, "uma falta de seriedade".

As pressões internacionais, principalmente dos Estados Unidos, não conseguiram encaminhar os diálogos de paz, promovidos pela ONU, no Kuwait.

Pouco depois do início da trégua, o secretário de Estado americano, John Kerry, não hesitou em interromper seu colega saudita, Adel Al Jubeir, quando este denunciou "150 violações" da trégua, respondendo que o cessar-fogo "continuava vigente".

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