Mark Ruffalo critica hipocrisia de Obama em relação às energias limpas

Los Angeles, 24 Out 2016 (AFP) - O astro de Hollywood Mark Ruffalo acusou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de hipocrisia por permitir a extração de combustíveis fósseis enquanto se apresenta como um defensor das energias limpas.

O ator de "Spotlight: Segredos Revelados" e "Vingadores", indicado ao Oscar, discursou no domingo em um protesto em Los Angeles contra as mudanças climáticas causadas pelo homem e, em particular, contra o controverso oleoduto Dakota Access Pipeline, onde houve uma escalada de protestos nas últimas semanas.

"Presidente Obama, é imoral que você continue perfurando nas terras do nosso Estado, nas terras e nas águas federais, enquanto ao mesmo tempo você se apresenta como um líder na luta contra as mudanças climáticas", disse o ator.

Ruffalo, de 48 anos, recentemente narrou e produziu "Dear President Obama, The Clean Energy Revolution Is Now" (Caro presidente Obama: a revolução das energias limpas é agora, em tradução literal), um documentário crítico sobre o legado ambiental do presidente.

Ele esteve acompanhado no palco pelas atrizes Shailene Woodley, 24, e Susan Sarandon, 70, em um evento de cinco horas com música e discursos diante de cerca de 800 pessoas em MacArthur Park, no centro de Los Angeles.

Woodley, estrela do biopic de Oliver Stone "Snowden" e da franquia de filmes "Divergente", foi presa no local da construção do Dakota Access Pipeline no início deste mês, durante uma manifestação para denunciar o impacto do oleoduto em locais sagrados de nativos americanos e no seu acesso à água potável.

A atriz afirmou que as comunidades indígenas são as primeiras a serem afetadas pela indústria de combustíveis fósseis.

"Suas terras são inundadas por represas em construção, os peixes são retirados e levados para outros países, suas montanhas são comprometidas sem qualquer respeito à sua ancestralidade sagrada e às suas tradições", acrescentou.

Uma série de protestos têm atraído milhares de pessoas para a área onde a empresa Energy Transfer Partners, sediada no Texas, está tentando concluir a construção do Dakota Access Pipeline, um oleoduto subterrâneo de 1.900 km que deve atravessar quatro estados americanos, de Dakota do Norte até Illinois.

Justiça socialMais de 220 pessoas foram presas desde que as manifestações começaram, em agosto passado.

Os manifestantes dizem que o oleoduto de US$ 3,8 bilhões vai prejudicar o meio ambiente e afetar terras historicamente significativas de nativos americanos.

A tribo Sioux, cuja reserva em Dakota do Norte está perto da rota do oleoduto, diz que o projeto destruiria alguns de seus locais sagrados.

Os indígenas temem, ainda, que o oleoduto possa poluir as águas do Rio Missouri, comprometendo os recursos hídricos da população.

"O mundo está uma bagunça. Nós temos guerras, temos a Mãe Terra sendo violada constantemente", disse Sarandon à multidão, em meio a aplausos.

"Este não é um problema apenas ambiental, mas também em termos de justiça social. Nós podemos fazer isso. Nós podemos parar o 'fracking'. Nós podemos parar o oleoduto", acrescentou.

O 'fracking', ou fraturamento hidráulico, é a extração de gás natural do solo através da introdução de uma mistura de água e produtos químicos com alta pressão a uma grande profundidade.

Estima-se que o método foi responsável por garantir a segurança de gás nos Estados Unidos e no Canadá por cerca de 100 anos, apresentando uma oportunidade para gerar eletricidade com a metade das emissões de CO2 do carvão.

Mas o processo usa quantidades enormes de água, que deve ser transportada para o local do 'fracking' com um custo ambiental significativo, e os críticos dizem que os produtos químicos potencialmente cancerígenos envolvidos podem contaminar as águas subterrâneas.

O protesto deste domingo foi parte de uma série de reuniões em todo os Estados Unidos organizada por Josh Fox, mais conhecido pelo documentário "Gasland", indicado ao Oscar em 2010, e pela sua oposição ao 'fracking'.

"Não importa o que aconteça nesta eleição, nós precisamos de um forte movimento para combater a indústria de combustíveis fósseis e para lutar para preservar o nosso planeta contra as mudanças climáticas", disse Fox, em referência à eleição presidencial de novembro.

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