Ataque à Academia de Polícia no Paquistão deixa 60 mortos

Quetta, Paquistão, 25 Out 2016 (AFP) - Ao menos 60 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em um ataque contra uma Academia de Cadetes da Polícia em Quetta, sudoeste do Paquistão, executado por três homens fortemente armados, que foram mortos após várias horas de confronto.

O balanço foi divulgado pelo porta-voz do governo da província do Baluchistão, Anwarullah Kakar.

Os parentes das vítimas seguiram para o local do ataque e os funerais estão previstos para a tarde de terça-feira.

Os três criminosos conseguiram entrar na Academia de Polícia, onde moram quase 700 cadetes, às 23H30 locais (16H30 de Brasília, segunda-feira).

"Primeiro se dirigiram contra a torre de vigilância e após um tiroteio conseguiram entrar no prédio da academia", informou Mir Sarfaraz Ahmed Bugti, ministro provincial de Assuntos Internos do Baluchisão.

Rapidamente o exército iniciou uma operação, com o apoio de helicópteros.

Imagens de TV mostraram soldados entrando na academia e ambulâncias retirando os feridos.

As forças de segurança chegaram ao local em 20 minutos, afirmou o general Sher Afgan, comandante do Frontier Corps, unidade paramilitar responsável por operações contraofensivas.

"Quando chegamos ao local vimos que haviam tomado vários recrutas como reféns", disse.

"Acabamos como ataque três horas depois de nossa chegada", informou o general, depois de mencionar um intenso confronto.

O general Sher Afgan atribuiu o ataque ao grupo armado Lashkar-e-Jhangvi, aliado aos talibãs.

"Estavam em comunicação com efetivos no Afeganistão", disse.

Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque até agora, mas se sabe que os separatistas atuam há vários anos no Baluchistão, província abalada por conflitos intercomunitários frequentes e por atos de violência cometidos por extremistas islâmicos.

Vi três homens com roupas camufladas, os rostos cobertos e fuzis Kalashnikov", disse à TV uma testemunha que se identificou como um dos cadetes.

"Eles começaram a atirar e conseguiram entrar nos alojamentos. Eu fugi pulando um muro".

O ataque aconteceu um dia depois de uma ação em que um homem armado do Exército de Libertação do Baluchistão, em uma motocicleta, matou dois guardas e um civil em uma zona remota da costa desta província.

Em agosto, um ataque suicida contra um hospital de Quetta deixou 73 mortos, incluindo vários advogados que protestavam contra a morte de um colega em um tiroteio.

O atentado de agosto foi reivindicado por uma facção talibã, a Jammat-ul-Ahrar (JuA), e depois pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A província do Baluchistão é uma zona-chave para as ambições regionais da China, que quer completar um corredor que lhe permita acesso ao Mar da Arábia.

Este corredor, que requer investimentos de quase 46 bilhões de dólares, já foi cenário de vários atentados de grupos separatistas.

Ao mesmo tempo, o exército foi acusado em várias oportunidades de abusos dos direitos humanos nesta província, remota e de acesso muito difícil, mas rica em recursos.

mak-jaf/tt/lr/fp

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